E lá se foi o primeiro mês fora de casa. O tempo passa de um jeito misterioso quando se está viajando. Não sei se vocês já leram o texto de Airton Luiz Mendonça, que diz que ao fazer coisas diferentes evitamos que a vida passe muito depressa. Bom, viajar é estar cercado de estímulos diversos, línguas estrangeiras, lugares interessantes, pessoas novas. Muita coisa acontece o tempo todo, então, para a memória, algumas horas equivalem a dias inteiros.

Além da mudança no calendário, também sinto que estou bem mais desencanada quanto a várias questões da vida de viajante que geralmente estressam as pessoas. Pensei que fosse jurar minha mala de morte depois da segunda semana, que me aborreceria com as acomodações nada luxuosas em que tenho ficado ou que estranharia a falta de rotina. Ler mais

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Eu amo a Grécia!

Os caras do centro de informações do ponto de ônibus de Thira pareciam ter saído de um filme sobre a máfia. Óculos escuros espelhados, barba por fazer, crucifixo no peito e camisa social, nenhum deles sorria ou tirava os óculos quando alguém perguntava como comprar o ticket, ou onde estavam os horários de saída dos ônibus. Eles não pareciam pertencer ao lugar, uma casinha amarela de uns 3 metros quadrados escrito “informações” em grego. No calor ainda escaldante de Santorini, todos os três informantes estavam bem vestidos demais para ocasião. O que tinha uma pinta na bochecha resmungava para uma velhinha o preço da passagem e tive o impulso de imitar o gangster Jelly no filme Máfia no Divã: “Barabi, barabum.” Ler mais

Bodrum, Turquia: Viagens na Viagem

Você compra um ticket para um lugar específico e, de repente, vai parar em vários outros lugares. Quando eu comprei o passeio de barco de sete dias com a Bodex Yatching, achei que iria sair de Bodrum e conhecer a região da Turquia chamada de Costa da Lícia, mas eu acabei em terras capixabas, catarinas e principalmente inglesas. Já explico.

O plano era sair de barco e ficar uma semana curtindo o sol, as baías desertas, o mar transparente e as várias ruínas da região. Só que pisar em Bodrum foi como voltar a um lugar conhecido: tinha certeza que o avião tinha pousado em Vitória. O painel eletrônico do minúsculo aeroporto acusava a primeira semelhança, temperatura 35 graus! Eu sentia o jeans colando instantaneamente na parte de trás da minha coxa e, como em Vitória, comecei a rezar por um biquíni. Ler mais

Demorou para cair a ficha que aquele era o momento, eu já estava viajando. Mesmo com a ansiedade da semana pré-embarque, a correria e as compras de última hora, tudo parecia meio surreal. 25 horas de voos e tudo pareceu um só segundo. Entrei no avião, parei em São Paulo, fiz o check in para Madrid, conversei com um Argentino sentado do meu lado que adora o Brasil, fizemos piada de um casal lavando roupa suja atrás da gente, assisti filmes, almocei em Madrid, conheci um português que falava igual um catarina virado na cocaína, experimentei a deliciosa comida turca da Turkish Airlines e descobri que algumas cadeiras de avião ainda reclinam horizontalmente, passei pela alfândega e BOOM! Só ali, na chegada a Istambul, a ficha caiu: eu estava bem longe de casa. Mulheres cobertas da cabeça aos pés por véu e túnicas pretas me olhavam discretamente ao longe enquanto eu tentava entender aonde tinha ido parar minha bagagem e como fazia para chegar ao hotel perto do aeroporto que eu tinha escolhido só para descansar depois da viagem. Ler mais

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Aqui estou, a quatro dias da viagem de volta ao mundo, pasma pela quantidade de coisas que ainda preciso resolver. Quem me conhece sabe que sou mega hiper organizada, beirando o transtorno obsessivo-compulsivo. Então, como é possível minha lista de afazeres já não se encontrar devidamente riscada com a caneta vermelha (sim, eu faço isso)?

Porque, caros amigos, essa é a primeira lição de uma viagem round the world: shit happens. Ler mais

Minha decisão de viajar pelo mundo nasceu de uma epifania no meio do caótico aeroporto de Congonhas. Pode parecer que o lugar incentivou a viagem, mas eu particularmente acho que a confusão aérea de São Paulo incentive mais pessoas a saírem correndo do que voando.

Na verdade, minhas decisões sempre brotam assim, de repente. Posso estar absorvendo sentimentos e analisando uma situação por muito tempo, mas se uma ideia aparece claramente, já era. Considere-a feita.

Isso não quer dizer que colocar os sonhos em prática não dê trabalho. Dá, mas eu descobri que geralmente o processo nunca é tão cabeludo quanto pensamos. Ler mais

Você está aqui porque sabe alguma coisa. O que você sabe, não pode explicar. Mas você sente. Você sentiu a vida inteira. Que há algo de errado com o mundo. Você não sabe o que é, mas está lá, como um zunido na sua cabeça te enlouquecendo. Você quer saber o que é? Você pode ver quando olha pela janela ou quando liga a TV. Você pode sentir quando vai para o trabalho, à igreja, quando paga seus impostos. É o mundo que foi colocado diante dos seus olhos para cegá-lo da verdade. Que você é um escravo, Neo.. Como todo mundo, você nasceu num cativeiro, nasceu numa prisão que você não pode cheirar, provar ou tocar. Uma prisão para a sua mente… Infelizmente, ninguém consegue somente escutar o que é. Você tem que ver por si mesmo.”

E assim, com as palavras de Morpheus, Neo tem a confirmação do que sentia no filme Matrix: o mundo ia além da sua rotina plastificada. Do outro lado, do lado desconhecido, havia muito mais.

Foi mais ou menos assim que me senti quando me deparei com o livro “As Melhores Viagens do Mundo” pela primeira vez. Ler mais