Um final de semana em Bolonha

Bolonha, cidade italiana encantadora a 80 km de Florença, é conhecida pelo slogan “Dotta, Grassa e Rossa”, ou “Sábia, Gorda e Vermelha”. No final de semana que passei por suas vielas, pude confirmar o quanto o marketing antigo da cidade continua perfeito.

Em 3 dias é possível conhecer muito da cidade avermelhada pelo uso da terracota na arquitetura e ainda dar uma escapadinha para os arredores, que tem atrações incríveis, como o Santuário de Nossa Senhora de São Luca (que eu terei que visitar em uma próxima viagem!).

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Santuário de Nossa Senhora de São Luca – foto blog Turista Ocasional

Para começar a explorar esse destino, vá até a Piazza Maggiore no coração da cidade. Além de ser belíssima e cheia de lugares maravilhosos para comer, o Centro de Informação ao Turista também fica ali. Entre e marque um walking tour pelo centro histórico. Custa 15 euros por pessoa e dura aproximadamente 2 horas, passando pelos principais monumentos e construções bolonhesas com um guia experiente (disponível em várias línguas, cada participante ganha um fone de ouvido individual para que a explicação fique bem clara).

construções rosadas Bolonha

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Arquitetura medieval

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Os primeiros Pórticos

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A Piazza Maggiore à noite

Detalhes cidade Bologna

Detalhes encantadores de Bologna

Como parte do tour, você passará por vários lugares icônicos:

Basílica de São Petrônio. A basílica de fachada inacabada, foi construída pelo povo e não pela igreja, possui um calendário solar único e uma história interessantíssima contada no tour!

Fachada inacabada Basílica de São Petrônio

Fachada inacabada Basílica de São Petrônio

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Calendário Solar

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Altar Basílica de São Petrônio

Fonte de Netuno. Desenhada pelo artista Giambologna em 1563, a fonte tem uma história curiosa. Quando Giambologna estava quase terminando a escultura de Netuno, o cardeal de Bolonha se chocou com o tamanho do falo da estátua e ordenou que este membro fosse reduzido. O artista acatou com o pedido, mas pregou uma peça. Além de adicionar ninfas com seios que jorram água na base da fonte, Giambologna criou uma ilusão de ótica usando o dedo da mão esquerda de Neturno que, quando visto por trás, parece estar – por falta de melhores palavras – de pau duro.

fonte netuno primeira

fonte netuno

fonte netuno

Ilusão Ótica – foto blog História e Viagem

Universidade de Bolonha. Fundada em 1088, é considerada a mais antiga do ocidente. Tinha aulas de direito, arte e medicina. Um de seus alunos mais célebres foi Dante Alighieri. Nas paredes e teto da universidade estão gravados os nomes e brasões de família dos alunos que passaram por lá. A universidade abriga a Biblioteca Comunale dell’Archiginnasio, com um acervo riquíssimo de livros antigos que ainda podem ser consultados, e a peculiar sala de medicina (conhecida como Teatro Anatômico), adornada com estátuas de madeira de antigos mestres e com uma mesa de mármore ao centro, onde ficava o cadáver a ser estudado. (Ingresso de 3 euros incluso no preço do tour).

Brasãos família

Brasões família – teto da universidade de Bolonha

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Teatro Anatômico

Pórticos. Impossível andar pela cidade sem passar embaixo das centenas de pórticos à entrada dos edifícios (muito úteis em dias chuvosos, como os que peguei na cidade!) São 45 km de pórticos, construídos por diversos motivos, mas principalmente para atender a crescente população de estudantes que se mudava para Bolonha com a inauguração da universidade. Para criar mais quartos estudantis, os edifícios eram ampliados em cima de “portais” de madeira que mais tarde foram substituídos por materiais mais resistentes.

Pórticos trabalhados Bolonha

Pórticos trabalhados Bolonha

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Criação Pórticos – foto: blog Historia e Viagem

Torres Asinelli e Garisenda. Na era medieval, Bolonha continha mais de cem torres dentro da cidade murada, um jeito das famílias proeminentes ostentarem poder. Dessas, apenas 24 sobreviveram, as mais importantes sendo Asinelli e Garisenda (essa última foi até citada na Divina Comédia por Dante Alighieri), construídas há mais de 800 anos por Matilde de Camossa para defender a cidade e depois incorporadas por sua família como patrimônio privado. Para os amantes de fotografias panorâmicas, é possível subir a Torre Asinelle, mas se prepare! Pois a subida é íngreme. (Ingresso 3 euros)

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Torres Bolonha Medieval – foto blog A Bolonhesa

torres asinelli e garisenda

torres asinelli e garisenda

Palácio di Re Enzo – O tour termina nesse palácio, localizado na Piazza Maggiore. Erguido em 1245, Di Re Enzo foi projetado como uma extensão do Palazzo del Podestà (primeira sede do governo da cidade). Do lado de fora, o guia explicará sobre o efeito acústico de quatro de seus arcos externos. Se duas pessoas se posicionarem de costas em dois lados opostos do arco e conversarem, conseguirão se escutar através das paredes! (Eu testei, funciona mesmo!) Dizem que o sistema era usado por doentes com doenças contagiosas para comunicarem com suas famílias.

Já deu para perceber o quanto a cidade é rica de história, né? E a gastronomia bolonhesa não fica para trás. Antes de falar sobre ela, vamos primeiro desmistificar um prato que todo viajante acha que foi criado na cidade, o espaguetti a bolonhesa. Como qualquer local irá lhe contar enfaticamente, o ragù alla bolognese é feito para complementar o tagliatelle, não o espaguetti. E por lá a receita do “molho” é bem diferente, usando vários ingredientes, como bacon, cenoura e vinho (uma delícia, por sinal).

ragù alla bolognese

ragù alla bolognese  (da La Sfolia Rina)

Outros pratos famosos da cidade são tortellini (massas frescas e recheadas), o queijo Parmigiano Reggiano, o sanduíche Tigelle (pãozinho quente recheado), a mortadela e o presunto cru de porco real, regados com o vinho local, o Lambrusco.

Tortellini Fresco em Bolonha

Tortellini Fresco em Bolonha

Se você ama beliscar e está louco para provar os queijos e presuntos locais, vá até a região conhecida como “Quadrilátero”, pertinho da Piazza Maggiore (fácil de localizar no mapa fornecido no Centro ao Turista, engloba Via Rizzoli, a Piazza della Mercanzia, Via Castiglione, Via Farini, Piazza Galvani e a Via dell’Archiginnasio). O Quadrilátero se desenvolveu na Idade Média como centro comercial e artesanal e hoje está apinhado de restaurantes, bares e salumerias. É lá que fica o conceituado Simoni, onde você pode pedir um sanduíche Tigelle ou uma tábua de frios com vinho.

Para experimentar o melhor da massa bolonhesa, sugiro o La Sfolia Rina. A indicação foi feita pelo dono do minha hospedagem e não poderia ter sido melhor! O lugar não é muito grande e geralmente conta com uma fila de espera de 40 minutos, mas vale a pena! Depois de sentado, o atendimento é rápido. Os pratos custam em torno de 11 euros e criarão uma referência de “massa perfeita” difícil de bater. Ainda bem que, além de almoçar, é possível levar algumas massas para casa.

À noite, a pedida é explorar os pubs da via del Pratello, os vários bares e restaurantes moderninhos da cidade (o Café Maxim tem DJ e drinques diferentes), ou o elegante Camera com Vista Bristrot na via Santo Stefano, uma das ruas mais charmosas da cidade (ainda mais à noite!) com uma vista maravilhosa para a Basílica Santo Stefano e uma carta de vinhos excelente!

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Hamericas – Burguers na Via Zamboni

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Caffe Maxim – DJ e drinks

Interior Camera com Vista Bristrot

Interior Camera com Vista Bristrot

Minha passagem por Bolonha foi curta, gorda e memorável. Foi um final de semana especial, que me fez relembrar o quanto é bom deixar tudo de lado e sentir a vida. E, lógico, como a Itália é o país perfeito para fazer exatamente isso: viver bem.

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MAIS INFORMAÇÕES:

Onde ficar: Opte por hospedagens dentro do centro histórico para poder fazer tudo a pé. Eu fiquei no Italy Prestigious House, que tem quartos amplos em uma casa histórica muito bem localizada. O Nic foi um anfitrião maravilhoso, que passou dicas únicas que só os moradores locais conhecem!

Para conhecer os 7 (ou mais) mitos de Bolonha, leia aqui .

Para saber mais sobre o que ver e fazer na cidade: https://abolonhesa.com

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