Montevidéu em 3 dias: praia, gastronomia, cultura e música!

A primeira coisa que me chamou atenção assim que desembarquei em Montevidéu é o quanto o destino está preparado para receber brasileiros. Todo mundo fala um pouco de português! Não só o pessoal que trabalha nos hotéis, mas também taxistas, motoristas de ônibus e garçons! E isso acontece tanto na capital, como em cidades menores.

Os brasileiros são muito importantes para o turismo uruguaio, ainda mais agora que a economia argentina não anda lá essas coisas. Lógico, a concentração de brazucas também tem aumentado por outro fator: a alta do dólar em nosso país. No entanto, para quem procura uma viagem barata, é bom rever um pouco o orçamento. Os preços no Uruguai não são exatamente baixos – aliás, achei tudo mais caro que em Curitiba – mas a restituição do imposto local de 18,4% no cartão de crédito e a possibilidade de levar e trocar facilmente reais já aliviam bastante o bolso do viajante.

Montevidéu me conquistou logo de cara. Uma cidade limpa, com atividades diferentes e acessíveis para todo tipo de gente: praia, gastronomia, cultura, música e enoturismo. E dá para conhecer praticamente a cidade toda em uns três dias! Tem como dar errado? Rs.

Praia em Pocitos, considerada a "Copacabana" dos uruguaios

Praia em Pocitos, considerada a “Copacabana” dos uruguaios

Para aprender um pouco mais sobre sua história, vale fazer o Free Walking Tour, que passa pela Ciudad Vieja e também dá dicas sobre a vida local. O legal é que você já sai com uma visão geral da cidade, depois é só escolher em que atração quer passar mais tempo (saídas da Praça da Independência de seg-sex às 11h e sábados às 14h. Custo: somente a gorjeta para o guia). Outra opção é pegar o ônibus turístico, que roda os principais ícones da capital em mais ou menos duas horas (ticket de 24 horas por 25 dólares). Como a parte central de Montevidéu é muito fácil de conhecer a pé, principalmente se você se hospedar no centro, eu acho essa opção um pouco cara e engessada.

Praça da Independência: Onde fica o Teatro Solis e outros marcos importantes

Praça da Independência: Onde fica o Teatro Solis e outros marcos importantes

À esq., entrada histórica da Cidade Antiga. À dir., prédios interessantes da cidade.

À esq., entrada histórica da Cidade Antiga. À dir., prédios interessantes da cidade.

Ah! Vale lembrar que a maioria das atrações fecha aos domingos: lojas, alguns restaurantes e até museus! Parece que esse dia é especialmente reservado para a Feria Tristán Narvaja, uma feira ao ar livre gigantesca que vende de tudo, desde vegetais e roupas usadas até relíquias antigas (não é bem minha praia, então acabei só dando uma passadinha). Como eu estaria lá somente no final de semana, tive que adaptar o roteiro ao domingo preguiçoso, mas no fim, deu tudo certo.

Feira Tristan Narvaja: frutas e legumes e lojas com discos e objetos antigos

Feira Tristan Narvaja: frutas e legumes e lojas com discos e objetos antigos

Barraquinha de cuias e materiais para o mate, a paixão nacional

Barraquinha de cuias e materiais para o mate, a paixão nacional

Com o mapa do hostel em mãos, fui até o escritório de Informações ao Turista no centro e peguei um livreto com a descrição histórica da maioria dos pontos turísticos. Foi muito fácil caminhar pela cidade antiga e ir acompanhando a explicação do guia. Fiz todo o percurso e ainda cheguei ao Teatro Solis (do lado esquerdo da Praça da Independência) a tempo de fazer o primeiro tour guiado do dia (ter e qui, às 16h; qua, sex, sáb e dom: às 11h, 12h e 16h. Aos sábados há um horário extra, às 13h. Custo em espanhol: 20 pesos. Em português ou inglês, 50 pesos). Além desse tour geral sobre a história do teatro, há outro às quintas e aos domingos às 17h que foca nos mitos e lendas maçônicas envolvendo o Solis.

Fonte de cadeados famosa, no centro, a caminho da Ciudad Vieja.

Fonte de cadeados famosa, no centro, a caminho da Ciudad Vieja.

Fachada e interior do Teatro Solis.

Fachada e interior do Teatro Solis.

A maçonaria não está presente somente neste edifício. Outra construção famosa na cidade possui vários elementos maçons, além de símbolos da alquimia, dos templários e do cristianismo: o Castillo Pittamiglio. O castelo, construído pelo arquiteto Humberto Pittamiglio entre 1911 e 1966, fica na avenida da praia (na Calle Francisco Vidal, entre a 21 de Setiembre e a Rambla de Montevideo) e é cercado de várias lendas e mitos, além de apresentar detalhes curiosos, como escadas que não dão a lugar algum e janelas cegas. Só é possível conhecê-lo em uma visita guiada, que acontece às terças e quintas às 17h e no final de semana às 18h (a informação no site está desatualizada).

Fachada exótica do Castillo Pittamiglio em Montevidéu.

Fachada exótica do Castillo Pittamiglio em Montevidéu.

Saindo de lá, aproveite para passear pela Rambla de Pocitos e observar a rotina dos moradores tomando sol, correndo no calçadão, ou tomando mate nos bancos. Só não espere águas cristalinas, afinal a “praia” aqui é de rio, o imponente Rio da Prata. No final da orla também fica o letreiro “Montevideo”, onde 10 em 10 turistas batem uma foto (como vocês viram na capa desse post, eu não poderia ser diferente! Rs.) Se a fome bater, volte para perto do Castillo e entre na Calle 21 de Setiembre, uma ruazinha com ares cariocas que está repleta de cafés, bares e restaurantes transadinhos.

Passeando pela Praia em Pocitos

Passeando pela Praia em Pocitos

Vou te falar, eu comi muito bem em Montevidéu! Aqui está a lista de lugares por onde passei:

Restaurante El Viejo y Querido: Vi esse bistrô sendo recomendado por alguns blogs e chefs, então resolvi conhecer. O lugar é bonitinho e aconchegante e tem ótimo atendimento. Dei uma passada um pouco antes do jantar e pedi um sanduíche de presunto Parma, que estava muito gostoso. Fica em uma transversal à Calle 21 de Setiembre (taça de vinho, garrafa de água, sanduíche e gorjeta por 460 pesos – R$ 56).

El Viejo y Querido: lugar simples com comida boa

El Viejo y Querido: lugar simples com comida boa

Café Camelia: Esse café descolado serve lanches rápidos e sobremesas, tudo preparado com ingredientes frescos e sem conservantes. Boa pedida para um café da tarde  (sobremesas a partir de 75 pesos, ou R$ 9).

Café Camélia, na Calle 21 de Setiembre

Café Camélia, na Calle 21 de Setiembre

Mercado del Puerto: O mercado é parada obrigatória para milhares de turistas que querem provar o típico churrasco uruguaio, a parrilla. O lugar é meio muvuca, servindo multidões que desembarcam dos cruzeiros, mas a carne é realmente gostosa. Há vários “restaurantes” que servem o prato. Você senta, escolhe o corte da carne e os acompanhamentos e pronto! Carne macia na certa. Só se prepare porque é impossível almoçar lá sem sair defumado! (Parrillada para duas pessoas com uma cerveja, água e gorjeta deu 1060 pesos, ou R$ 129).

A parrillada sendo preparada no tradicional Mercado del Puerto

A parrillada sendo preparada no tradicional Mercado del Puerto

Mercado Agrícola: Apesar de ter curtido o Mercado Del Puerto, eu gostei mais do seu irmão menor, o Mercado Agrícola. O MAM reabriu suas portas em 2013 depois de uma extensa e cara reforma no prédio histórico (foram investidos mais de U$ 10 milhões!) O edifício, que por fora lembra um galpão, tem chão de pedras (como em um rua antiga de Ouro Preto), wifi gratuito e está muito bem organizado. Há tendas de frutas e legumes, lojas de produtos gourmets, uma praça de alimentação e alguns restaurantes bacaninhas. Experimentei o típico chivito (o sanduba nacional) e ainda terminei com uma deliciosa torta de Dulce de Leche! Yumm! (Chivito por 245 pesos, ou R$ 30, torta com café por 200 pesos –  R$ 24).

Comidas do Mercado Agrícola: chivito e torta de doce de leite

Comidas do Mercado Agrícola: chivito e torta de doce de leite

Ah! E relativamente perto do mercado fica a Assembleia Legislativa, uma das construções mais elaboradas da cidade que você pode visitar com um guia, se não for final de semana (seg-sex, às 10:30h e às 15h por 70 pesos).

A imponente Assembleia Legislativa

A imponente Assembleia Legislativa

Para quem curte vinho, dá também para almoçar em uma das vinícolas nos arredores da cidade e ainda emendar um tour com degustação. A Wine Experience organiza algumas dessas visitas (fiz um passeio com eles em Punta del Este que amei! Leia mais aqui), mas como eles são muitos disputados, você pode organizar para ir até uma casa produtora por conta própria (o Diario do Baco tem várias dicas para quem gosta de enoturismo).

Com ajuda do pessoal do hostel, eu acabei conhecendo a Bodega Bouza, uma vinícola boutique premiada bem bonitinha a 20 km da cidade. Não há ônibus direto para lá, então a opção é alugar um carro, pegar um táxi (aproximadamente 520 pesos do centro, 400 saindo do Mercado Agrícola), ou ir com o transfer da vinícola (1.300 pesos!). A visita geralmente começa com um tour pela propriedade que passa pela coleção de 35 carros antigos do dono (tem um de 1919!) e termina em uma deliciosa degustação de quatro rótulos (1000 pesos ou aproximadamente 120 reais). Apesar de ter achado a recepção um pouco fria (as atendentes eram um pouco ríspidas e não havia lugar para sentar), o lugar é lindo e os vinhos, muito bons. Fiquei com vontade de experimentar o restaurante, que oferece pratos do chef Marcelo Garcia, como o pato com laranja, polvo ao forno e foi gras flambado.

O carro mais antigo da coleção na Bodega Bouza: de 1919.

O carro mais antigo da coleção na Bodega Bouza: de 1919. Há 35 itens lá, entre carros e motos.

Visitando a Bodega Bouza: propriedade linda!

Visitando a Bodega Bouza: propriedade linda!

De tudo o que queria fazer em Montevidéu, só ficou faltando ir a um bar com música candombe. O ritmo é típico do país, e se desenvolveu a partir da influência dos escravos africanos, um pouco como a cultura do samba no Brasil. O candombe utiliza três tambores diferentes e é extremamente popular, principalmente durante as festas nacionais, como o carnaval uruguaio. Bom, como o Uruguai é “logo ali” arranjei uma ótima desculpa para voltar! 😉

OUTRAS INFORMAÇÕES:

Hospedagem: Como queria fazer uma viagem barata, escolhi ficar em um hostel, o Caballo Loco. Localizado em uma rua tranquila do centro perto do transporte público, o albergue tem camas confortáveis, banheiros sempre limpos, um café da manhã simples (suco, cereal, um tipo de pão, geleias e doce de leite, chá, café, leite e frutas) e uma sala de estar com sofás e mesa de sinuca que reúne viajantes do mundo todo. Apesar de não proporcionar uma programação própria de tours por Montevidéu ou eventos no hostel, a galera da recepção é bem gente boa e prestativa (um salva para o Mariano e a Laura!). Eles me deram várias dicas de translado e passeios, além de ligarem para algumas atrações para sanar minhas dúvidas.

Caballo Loco: mural da sala e café da manhã

Caballo Loco: mural da sala e café da manhã

Como ir do aeroporto de Montevidéu ao centro: Para sair do aeroporto Carrasco que fica a 25 km do centro, há três alternativas, táxi, ônibus ou van.

  • Táxi: Os taxistas são tranquilos e não tentam te passar a perna. O valor é tabelado por bairro e sairá algo entre 900 e 1000 pesos no taxímetro (mais ou menos R$ 120).
  • Ônibus: São velhos e sem espaço dedicado às bagagens, como há em alguns países (se estiver lotado será meio difícil subir com a mala). A passagem custa 47 pesos (dentro da cidade o valor cai para 24 pesos). Para saber qual linha pegar e em que ponto descer, pergunte ao seu hotel ou dê uma olhadinha no site da prefeitura aqui.
  • Van: É o meio termo entre o táxi e o ônibus, mais barata que a primeira opção, mais cômoda que a segunda. Custa 200 pesos (quase R$ 25) e leva de 8 a 9 passageiros até a porta de seus respectivos hotéis. Para pegá-la, vá até o quiosque dos táxis autorizados na saída do desembarque. Outra vantagem: você pode pagar com cartão de crédito.
Aviso no ônibus: é proibido tomar mate!

Aviso no ônibus: é proibido tomar mate! Acredite, eles levam térmica e cuia para TUDO quanto é lugar!

Casas de Câmbio – Trocando dinheiro no Uruguai: Como sempre, evite trocar dinheiro no aeroporto que tem sempre taxas de troca desfavoráveis (1 real = 7 pesos). Na Av. 18 de Julio há várias casas de câmbio com média de 1 real = 8 pesos (encontrei uma que trocava 1 real por 8,20 pesos). No domingo poucas casas de câmbio abrem, mas há algumas, só procurar mais. Ah! E em hipótese alguma troque seus reais no Brasil (ganhará metade do valor que conseguiria no Uruguai).

Restituição de 18,4% do IVA: Vale para compras no cartão de crédito/débito realizadas em restaurantes e lojas, além de gastos com alguns serviços turísticos. Teoricamente o valor é restituído em todas bandeiras de cartões, mas isso não tem acontecido com o Master Card (que seria restituído na fatura). Para o VISA, o valor é reembolsado antes da finalização da compra (você vê o valor economizado na nota).

Mais restaurantes em Montevidéu: Essa lista do Viaje na Viagem está repleta de opções.

Mais informações sobre atrações em todo Uruguai: O blog Viver Uruguay, escrito por uma baiana que mora no país, está bem explicativo e cheio de dicas sobre várias cidades no país! Esse post do The Life of Isa também sugere algumas outras atrações de Montevidéu.

-Leia também os posts sobre Colonia e Punta del Este, duas lindas cidades uruguaias!

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17 comentários em “Montevidéu em 3 dias: praia, gastronomia, cultura e música!

  1. Ótimo post! Já conheço Montevideu, mas essas dicas me fizeram querer voltar 😀

    • Então, conversamos com um uruguaio que confirmou que a possibilidade de compra legal é somente para os moradores. Aparentemente a venda é feita em farmácias com uma identidade local, mas nada é divulgado. Mas vimos alguma pessoas fumando na praia sem problemas…

  2. Já tinha vontade de visitar o Uruguai, depois de ler seus relatos, já faço planos! 😉

  3. Letícia, adorei ter meu blog indicado aqui! O Uruguai é uma graça né? Ler seu post me fez ficar com vontade de retornar.

    Bjs!!!

  4. Já havia planejado ir ao Uruguai, agora com essas dicas, a vontade aumentou. Obrigado, Leticia!

  5. Estarei em Montevideu de 21 a 26.07 próximos. Por se tratar de minha primeira viagem, naturalmente busquei informações das mais variadas fontes. E que é mais interessante é que há uma grande quantidade delas. Nada, porém, tão claro como pude ver aqui.
    Tenho certeza de que me serão por demais úteis.
    Parabéns e muito obrigado.

    • Fico muito feliz que achou o post útil, Robster! Espero que se divirta muuuito por lá! Depois conte aqui como foi! Super abraço!

  6. Estarei em Montevidéu nos próximos dias, exatamente no período do carnaval, adorei seu post. Sucesso!!!!

  7. Pingback: Montevideu. Saiba Porque realizar Turismo em montevidéu | Viajantes de Primeira Viagem

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