Parque Estadual Vila Velha: passeio bate-e-volta saindo de Curitiba

Não existe essa história de “não consigo viajar”. Sabe por quê? Porque dá para viajar até perto de casa. Eu ando apostando muito em viagens pela minha própria cidade, assim continuo conhecendo coisas novas mesmo quando não dá para ir muito longe! Se você também mora por aqui ou está só visitando, pode fazer vários passeios bate-e-volta a partir de Curitiba. Nesse final de semana, juntei uns amigos e conheci uma dessas opções legais, o Parque Estadual de Vila Velha.

A 115 km da capital, o parque abriga aproximadamente 23 arenitos que começaram a ser formados há mais de 300 milhões de anos, quando os continentes ainda estavam interligados em um bolo de terra chamado Gondwana. Sim, o negócio é beeem antigo! O choque entre as placas tectônicas elevou o terreno da região que depois foi se desgastando lentamente com a ação do ventos, das chuvas etc. Considerando a história do planeta, esse processo de erosão é super recente, tendo acontecido há somente 1,8 milhão de anos. (Sempre me espanto como nosso tempo na Terra é ínfimo comparado a todo o resto. Ai ai!)

No parque, guias, um video e placas explicam a história local.

No parque, guias, um video e placas explicam a história local.

Sabe aquela frase da sua vó, “água mole e pedra dura, tanto bate até que fura”? Pois é, foi isso que aconteceu com os arenitos. O legal é que essa corrosão natural criou formatos interessantíssimos na rocha exposta, lembrando alguns animais e objetos. As figuras gigantescas viraram inclusive protagonistas de uma lenda local. De acordo com seus primeiros habitantes, Tupã havia escondido um rico tesouro na região, escolhendo os melhores guerreiros da tribo dos Apiabas para guardar seu paradeiro. A grande honra não vinha sem um preço: seus guardiões eram proibidos de ter contato com mulheres, pois elas poderiam revelar o segredo do tesouro aos inimigos.

Sabendo disso, uma tribo rival decidiu enviar sua mais bela mulher para seduzir Duhí, um dos guerreiros-guardiões, embebedando-o para que contasse a localização do tesouro. Para o inimigo, o tiro saiu pela culatra, pois os pompinhos acabaram se apaixonando. Tupã, no entanto, ficou furioso! A ira divina provocou um terremoto que transformou a vila em pedra (na língua indígena a região é conhecida como Itacueretaba, que significa “cidade extinta de pedras”). Os amantes da história foram petrificados e o tesouro foi fundido no que hoje seria a “Lagoa Dourada” do parque estadual. Por fim, Tupã transformou o cálice usado pela bela índia em pedra, em um lembrete eterno da traição do guerreiro.

Alguns formatos: Camelo (lado esq em cima), Bota (lado esq embaixo), Macacos Beijoqueiros (lado direito).

Alguns formatos: Camelo (lado esq superior), Bota (lado esq inferior), Macacos Beijoqueiros (lado direito).

O arenito mais famoso, conhecido como A Taça.

O arenito mais famoso, conhecido como A Taça.

É muito fácil imaginar a vila indígena antiga enquanto se caminha por entre os arenitos. Para mim, muitas rochas lembravam casas e até castelos! By the way, a trilha, que é calçada, é relativamente curta (mais ou menos 1 hora) e serpenteia pela vegetação nativa recuperada entre 2002 e 2004, quando o sítio arqueológico ficou fechado para revitalização. Meus amigos que haviam visitado Vila Velha quando adolescentes contaram que o parque está muito melhor agora, cheio de vida! A infraestrutura também recebeu um upgrade, com uma nova lanchonete, banheiros, sala de vídeo (é obrigatório assistir um filme de 10 minutos antes de começar a trilha) e uma área para piqueniques onde fizemos um verdadeiro banquete ao ar livre!  Só é proibido fazer churrasco, ok? Afinal, não queremos que esse lindo lugar sofra riscos de incêndio.

Trilha do Parque Estadual de Vila Vellha

Trilha do Parque Estadual de Vila Vellha: beeem tranquila!

Área para piquenique do parque, do lado esquerdo, logo após a entrada.

Área para piquenique (do lado esquerdo, logo após a entrada – tem pia, estacionamento, lixo e banheiros próximos)

Ah! E compre os ingressos assim que chegar ao parque! Nós não sabíamos, mas uma das atrações, a visita às furnas (poços com piscinas naturais) e à Lagoa Dourada, tem ingressos limitados. Como ficamos nos esbaldando no piquenique, não encontramos mais ingressos para o passeio das 15:30h, o último disponível naquele dia. Já que você foi até lá, melhor ver tudo que o lugar tem para oferecer, não é verdade?

Lado esq., Furnas (o elevador que descia até a margem está desativado). Lado dir., Lagoa Dourada (a água só fica dourada ao entardecer, quando parque já está fechado).

Lado esq., Furnas (o elevador que descia até a margem está desativado). Lado dir., Lagoa Dourada (a água só fica dourada ao entardecer, quando o parque já está fechado). Fotos: parquesepracasdecuritiba.com.br

Falando nisso, nós descobrimos que o parque está oferecendo uma visitação noturna em noites de lua nova e lua cheia. O passeio guiado começa às 19:00h e termina às 22:30h, percorrendo a trilha dos arenitos com o céu estrelado. Deve ser maravilhoso! Olha só a foto desse evento que achei na internet! E ainda tem gente que acha que não dá para viajar perto de casa… Rs. parque-vila-velha-noite

OUTRAS INFORMAÇÕES

Contato, Ingressos e Horário de Funcionamento: www.uc.pr.gov.br, contato pelos telefones (42) 3228-1539 e (42) 3228-1138. O parque abre às 8:30h com última entrada às 15:30h (horário do último ônibus para as furnas). Ingressos: R$ 10 para a trilha, R$ 8 para visitar as furnas e a Lagoa Dourada. O passeio noturno custa R$ 25. (Estudantes pagam meia. Aceitam cartão de crédito).

Como chegar ao Parque Estadual de Vila Velha saindo de Curitiba:

De carro: É só pegar a BR 376 em direção a Ponta Grossa. O parque fica no km 515 (prepare-se, pois há dois pedágios no caminho, um valor aproximado de R$ 17 por trecho!) e tem estacionamento gratuito.

De ônibus: A viação Princesa dos Campos (42 3220-3666 do celular ou 0 800 421-000 de telefones fixos) oferece uma linha que sai de Curitiba em três horários: 07:45h, 14:15h e 17:15h. O trajeto demora 2 horas e custa R$ 25,78. Mas fique atento, pois o ônibus de volta só passa no parque às 15:45h. Caso você perca o horário, pegue um ônibus até a rodoviária de Ponta Grossa e outro de lá até Curitiba.

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10 comentários em “Parque Estadual Vila Velha: passeio bate-e-volta saindo de Curitiba

  1. bom dia, saberia me dizer se o ônibus que sai de Curitiba passa e para em frente ao parque?
    Pretendo conhecê-lo em novembro.
    obrigada pelas dicas!

  2. Bom dia! Pretendo visitar o Parque. Uma agencia cobra $235, com monitoria e transporte. É vantagem eu ir de ônibus e por conta própria? Ou é melhor pagar um pouco mais e contratar o serviço de uma agência? Indo de ônibus e por conta própria, eu iria gastar quanto em média?

    Obrigado.

    • Paulo, a não ser que a agência forneça um guia com muito conhecimento (as explicações dentro do parque são poucas), eu não faria o passeio com agência. Um abraço!

  3. Boa tarde gostaria de visitar o parque eu preciso fazer agendamento ou posso ir direto e tirar os ingresso na hora vou com mais duas pessoas de carro proprio

  4. Sou do Espírito Santo e aqui no meu estado sou especialista em passeio bate-volta. Quando viu a outros lugares procuro sempre dicas preciosas como estas suas para enriquecer minha viagem. Obrigada pelo convite em conhecer esse lugar com tanta riqueza histórica. Abraços.

  5. Sabe me dizer, se existem passeios de onibus para o Canyon Guartelá? Buraco do Padre?

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