Petrópolis: 3 dias aproveitando museus, a cervejaria Bohemia e ótimos restaurantes!

Viagens rápidas de final de semana são uma ótima maneira de recarregar as energias sem gastar rios de dinheiro ou se ausentar por muito tempo do trabalho. Por isso, sempre fico de olho nas promoções de passagens nacionais para ver qual novo destino dá para ser visitado em poucos dias. Em uma dessas oportunidades fantásticas de passagem, eu, minha mãe e minha irmã resolvemos ir a Petrópolis para comemorar (adiantadíssimo) o aniversário da minha little sis.

Nos encontramos no Galeão em uma sexta à tarde e partimos para a antiga cidade imperial, a 65 km do aeroporto internacional carioca. Como Petrópolis está a 845 metros de altura, o clima é bem fresco, então é bom levar um casaquinho. Mal chegamos e já fomos andar pela cidade, admirando as construções da época em que o Brasil tinha uma família real. Muitas das casas são privadas, impedindo a visitação, porém as fachadas são muito interessantes e há placas nos muros indicando que personagem histórico morou em cada residência. Para facilitar as andanças, passe no escritório de turismo na Praça da Liberdade no centro histórico e pegue um mapa com as atrações da cidade. Apesar de muitas ruas não conterem placas com nome, o mapa ajudará a entender se você está na direção certa.

Lindas casas históricas em Petrópolis

Lindas casas históricas de Petrópolis

Nossa primeira parada foi no Museu Imperial, localizado na antiga mansão de veraneio da família real, o acervo reúne objetos, móveis e histórias do segundo reinado (entre 1840 e 1889) com painéis explicativos pertinentes (ingresso por R$ 24). Antes de entrar, os visitantes precisam vestir uma pantufa engraçada que ajuda a conservar o piso de madeira original. Fiquei muito impressionada com a delicadeza e beleza das joias imperiais expostas, que poderiam ser facilmente usadas hoje em dia! A mais imponente, sem dúvida, é a antiga coroa de D. Pedro II, decorada com 639 brilhantes e 77 perólas! O museu também oferece um charmoso café, onde fomos muito bem atendidas! Recomendamos um pitstop para provar o bolo indiano, simplesmente uma delícia!

O Museu Imperial, antiga casa de veraneio real.

O Museu Imperial, antiga casa de veraneio real.

Café Duetto no jardim do Museu Imperial

Café Duetto no jardim do Museu Imperial

A poucos minutos de caminhada dali, você encontra outra atração, a Catedral de São Pedro de Alcântara. Construída em estilo gótico e ornamentada com lindos vitrais, a catedral fica ainda mais bela à noite, quando sua fachada é inteiramente iluminada.  Além de abrigar as lápides de Dom Pedro II, Dona Teresa Cristina, Conde d’Eu e da Princesa Isabel, o templo possui um órgão sacro monumental, instalado em 1937. O instrumento, que estava sem uso há 20 anos, foi restaurado e pode ser escutado nas missas realizadas às 11:30h aos domingos, bem com em eventos especiais, como o conserto noturno que presenciamos com o músico Sergio Presgrave (a próxima apresentação está marcada para 24 de outubro).

Catedral de Petrópolis: fachada e interior com o monumental órgão.

Catedral de Petrópolis: fachada e interior com o monumental órgão.

Como chegamos à cidade quase no final do dia, deixamos para visitar a Casa de Santos Dumont na manhã seguinte. Conhecida como “A Encantada”, a antiga casa projetada pelo inventor era uma morada minimalista, onde não havia cozinha e uma mesa de trabalho virava cama à noite, quando a camareira colocava um colchão sobre as taboas de madeira. Em seu interior, encontram-se alguns objetos pessoais de Dumont, como cartas, o icônico chapéu-panamá e uma de suas curiosas invenções: um chuveiro feito com um balde de ferro que era aquecido a álcool. Saindo da casa-museu, dá para descansar as pernas no Chalé do Chocolate, uma chocolateria artesanal que tem ótimos presentes de viagem! Dica: a paleta de caramelo e a de amêndoas foram nossas favoritas!

Casa Santos Dumont

Casa Santos Dumont

Depois de um pouco de história, demos uma passadinha no Palácio de Cristal, uma espécie de estufa de vidro onde aconteceu a celebração da abolição da escravatura em 1888, e fomos direto para a Cervejaria Bohemia, que tem um tour interativo sobre a história da cerveja desde sua criação até os dias atuais (ingresso por R$ 20). Engana-se quem acha que o passeio é somente um comercial da marca! Há explicações interessantes sobre cervejas do mundo inteiro, bem como uma linha do tempo com todas as marcas e importantes acontecimentos relacionados à bebida no Brasil. Os visitantes são presenteados com duas degustações, um desconto para os produtos da loja e um vale-chopp que pode ser retirado no Boteco Bohemia, anexo ao museu cervejeiro. Achamos legal fazer o tour pela manhã (demora cerca de uma hora e meia) e almoçar no restaurante do segundo andar, onde tivemos uma grande dificuldade em escolher os pratos, todos pareciam ótimos! No fim, pedimos um peixe com salada de palmito fresco e cuzcuz de camarão e um pato com risoto de cogumelos e salada de mixirica que merecem ser repetidos algum dia (pratos entre 33 e 51 reais)!

Palácio de Cristal em Petrópolis

Palácio de Cristal em Petrópolis (fica perto da cervejaria Bohemia)

Entrada da Cervejaria Bohemia em Petrópolis

Entrada da Cervejaria Bohemia em Petrópolis

Deixamos a grande expectativa gastronômica da viagem para a última noite, um jantar no especial Dona Irene em Teresópolis, a cidade vizinha. A história deste restaurante fantástico começa em 1960, quando um casal de siberianos desembarca no Rio de Janeiro.  Com o tempo, Mikhail e Eupraxia Smolianikoff acabam se mudando para Teresópolis, adotando os nomes de Miguel e Irene para facilitar a vida por lá. Em 1964, incentivados por amigos brasileiros, o casal resolve abrir a casa, que oferece um banquete russo de quatro etapas à moda das refeições que eram servidas aos czares e à aristocracia russa até 1917. Nem na Rússia atual você consegue provar facilmente esse tipo de comida! Após o falecimento dos fundadores, o casal José Hisbello Campos e Maria Emília, os amigos de Miguel e Irene que acompanharam de perto a criação do restaurante, tomaram as rédeas do empreendimento, localizado em uma casa decorada com fotos de família e matrioshkas, como se fosse um lar na Rússia. Eles produzem até sua própria vodca, mais russo impossível!  O jantar é composto de 15 entradas frias, sopa com bolinhos típicos, 3 entradas quentes, um prato principal (que precisa ser escolhida no ato da reserva) e sobremesa, tudo por 120 reais (sem incluir o serviço ou bebidas além da vodca da casa. Leve dinheiro ou cheque, pois não aceitam cartões). Embora eu não seja muito fã de comida eslava tradicional, o banquete estava farto e bem temperado, e as histórias do Sr. Hisbello – que tem 85 anos e muitos causos para contar – valem o investimento.

Alguns dos pratos no banquete do Restaurante Dona Irene

Alguns dos pratos no banquete do Restaurante Dona Irene

Nordestino do interior da Paraíba, “Seu Hisbello” chegou ao Rio com 15 anos, quando foi instruído por seus pais a pegar um navio até a capital carioca com a missão de virar engenheiro. Esse senhor determinado nunca questionou seus pais, ou a histeria política da década de 60 que destruiu a embaixada russa quando, ainda jovem, resolveu aprender a língua a fim de compreender alguns livros de engenharia específicos naquele idioma. Antes de qualquer frase, José Hisbello sempre professa, “é que eu tenho sorte, menina, muita sorte!” E tem mesmo! Foi um engenheiro exemplar, um ótimo marido (casado há 63 anos), um pai entusiasmado. Mas, antes de tudo, vejo que Hisbello tem a sorte de escolher aproveitar o que a vida lhe dá, embelezando ainda mais qualquer situação. E eu, sentada em seu restaurante, depois de provar um banquete czarista regado a vodca artesanal com as duas mulheres que mais amo nessa vida, só posso agradecer à boa ventura desse senhor, que não só propaga sentimentos bons para si, mas para todos que tem o prazer de sua companhia. 

Sr. José Hisbello do Dona Irene

Sr. José Hisbello do Dona Irene

OUTRAS INFORMAÇÕES

  • Hospedagem: Pegamos dois quartos na pousada Fred Cama & Café, que fica bem no centro da cidade, pertinho da Catedral São Pedro de Alcântara. Construída em uma mansão tombada cheia de história, o local poderia ser muito belo, mas está mal conservado e a funcionária que gerencia a pousada era um pouco rude. O singelo café da manhã estava gostoso, com pão francês, bolos, frutas, suco, frios, café e leite (200 reais por um quarto triplo, ou 170 por uma suíte para duas pessoas).
  • Como ir do Galeão até Petrópolis: Na ida, para aproveitarmos mais a sexta em Petrópolis, pegamos um táxi. A tarifa usada é de R$ 1,95 por km rodado (na bandeira 1), mais 40% de retorno e 22 reais de pedágio (mais ou menos 200 reais pelo trajeto inteiro). Na volta, fomos de ônibus executivo. Primeiro, pegamos um táxi do centro histórico até a rodoviária de Petrópolis (30 reais, leva mais ou menos 15 minutos), depois um ônibus até a rodoviária no Rio (R$ 19,50/pessoa, demora 1 hora e meia) e, por fim, um ônibus especial (conhecido como “frescão”) que sai da rodoviária direto para o Galeão (há duas linhas, uma custa R$ 13,50, a outra R$ 12, ambas levam uns 25 minutos). Se o seu voo sai do Santos Dumont, é só pegar o ônibus na direção oposta (a tarifa é a mesma).
  • Você encontra mais opções de restaurantes em Petrópolis aqui.
  • Para quem tem mais tempo e curte a natureza, considere um passeio pela rota 22.

 

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3 comentários em “Petrópolis: 3 dias aproveitando museus, a cervejaria Bohemia e ótimos restaurantes!

  1. Lindo passeio! A cidade é uma gracinha, e oferece delícias ao paladar e ao espírito. “Seu Hisbello” complementa o passeio com charme e alegria. Viajei também no tempo, fazia muito tempo que tinha ido a Petrópolis.

  2. Oi! Adorei a dica do restaurante em Terê, nunca tinha ouvido falar!
    Pelo seu relato, vcs nai foram de carro para Petrópolis. Minha duvida eh: como se locomoveram por lá? Dá pra ir a Cervejaria a pé?
    Obrigada por compartilhar sua experiência.
    Verônica

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