3 noites em Lisboa: dicas para aproveitar a capital portuguesa sem cair nas furadas

Os portugueses que já estiveram no Brasil contam que Lisboa se parece com São Paulo, enquanto o Porto tem um clima carioca. Pessoalmente, acho que nada se parece com o caos paulistano, muito menos essa cidade de prédios antigos e bem preservados, ruelas estreitas e várias vias de pedestres com muitos cafés e lojas.

Ok, a capital lusitana também tem uma Rua Augusta, mas a de cá é exclusiva para caminhar, comprar algum presente, ou sentar em algum restaurante bonitinho para passar o tempo. Talvez a única semelhança seja que Lisboa tem aquele clima de oportunidades típico de cidades maiores, atraindo muitas pessoas do restante do país que estão a procura de emprego.

Para quem chega aqui de férias, há museus de todos os tipos, a maioria com entrada gratuita no domingo até às 14h, música e outros eventos nas praças (principalmente no verão) e inúmeros lugares para provar o melhor da gastronomia portuguesa. A Queijaria Nacional é um desses cantinhos maravilhosos. O dono do estabelecimento, “seo José Dias”, está sempre lá com um sorriso e várias dicas de queijos e embutidos locais. Nós pedimos um vinho verde do alentejo e uma taboa variada, que estava tão boa que repetimos (13 euros). Para balancear o salgado com um docinho, passe na Xocoax, outro lugar espetacular bem próximo à parada de metrô Baixa-Chiado. A marca espanhola tem mais de 100 anos, mas esta é a única loja fora da Espanha. Os cookies, trufas e lascas de laranja cobertas com chocolate são ótimos, mas meu doce preferido ainda foi a paleta de chocolate com um recheio de creme milho peruano e salpicado com sal maldon, um sal mais puro onde parte dos cristais são defumados (0,75 euros/paleta). Para almoçar, não há melhor lugar que o Mercado da Ribeira, o mercado municipal da cidade que foi reinaugurado em maio desse ano e conta com 30 estabelecimentos maravilhosos, servindo comida portuguesa e internacional.

Comidinhas deliciosas na Queijaria Nacional

Comidinhas deliciosas na Queijaria Nacional

Delícias na Xocoax

Delícias na Xocoax

Mercado da Ribeira, cheio de delícias!

Mercado da Ribeira, cheio de delícias!

Para gastar as calorias, vá até Belém de bicicleta e veja a Torre de Belém, o Monastério dos Jerôminos e o Padrão do Descobrimento (ou pegue o ônibus 15E na estação Cais Sodré, onde fica o Mercado da Ribeira, pois você ainda andará bastante entre uma atração e outra). Nós não sabíamos, mas no primeiro domingo do mês a entrada para o concorrido monastério e sua belíssima igreja é gratuita (geralmente custa 10 euros/pessoa), então chegue cedo para evitar as filas quilômetricas que encontramos. Só não gaste tempo tentando provar o “pastel de Belém original” oferecido na cidade. Você demorará quase uma hora tentando realizar o feito, para no final se dar conta que ele tem o mesmo gosto do que outros em Lisboa.

Monastério dos Jerônimos

Monastério dos Jerônimos

Torre de Belém

Torre de Belém

Marco do Descobrimento

Padrão do Descobrimento

Outra opção que eu sempre recomendo para os primeiros dias na cidade é fazer um free walking tour, que sai todos os dias da Praça Dom Pedro IV (mais conhecida como Praça Rossio) e percorre todo o centro histórico por uma gorjeta para o guia (geralmente uns 5 euros). O legal desse tipo de passeio são sempre as histórias e dicas! Eu já havia escutado que a visita ao Castelo São Jorge não valia as filas imensas, mesmo com a vista linda lá de cima. O guia realmente confirmou o fato e nos levou em outro lugar belíssimo para tirar fotos panorâmicas da cidade (no bairro Mouraria, na frente da Igreja e Convento das Graças). Continuando pelos becos da Mouraria, ouvimos os contos sobre os imigrantes que para lá se mudaram quando D. Afonso exigiu a criação de uma área residencial exclusiva para os muçulmanos, logo após a reconquista cristã. O bairro hoje é cheio de vida e cultura, sendo considerado por muitos o berço do fado, um estilo musical melancólico geralmente cantado por um só “fadista” acompanhado de uma guitarra clássica e uma guitarra portuguesa.

Olhando Lisboa da Igreja da Graça

Olhando Lisboa da Igreja da Graça

Admirando os azulejos portugueses no walking tour

Admirando os azulejos portugueses no walking tour

Arte de rua e restaurantes da Mouraria

Descobrindo arte de rua e restaurantes da Mouraria no walking tour

Fado vem da palavra “fatum” em latim, que significa “destino”. Por volta de 1.800, era especialmente popular entre grupos marginalizados, como marinheiros e prostitutas. Sempre com letras intensas, o gênero exige silêncio e emoção, como presenciamos em nossa última noite em Lisboa. Jantar no Esquina de Alfama foi uma das melhores experiências lisboetas. Ficamos horas por lá, provando pratos típicos, tomando sangria branca e assistindo às apresentações “espontâneas” de fado (todos que trabalham lá fazem parte de um show bem intimista). Além das músicas sobre paixão e saudade, percebemos uma grande quantidade de letras sobre o amor à cidade, à vida nos bairros e a sua história. Ficamos com muita vontade de explorar Lisboa mais a fundo, porém, como o marinheiro fadista, havia chegado a hora de seguir viagem. Se continuarmos nos apaixonando assim por Portugal, não voltaremos nunca. Rs.

Esquina do fado em Lisboa

Esquina do fado em Lisboa

Sé de Lisboa iluminada

Sé de Lisboa iluminada à noite. Por ali há vários restaurantes de fado legais.

 

OUTRAS INFORMAÇÕES:

  • Hospedagem: O Living Lounge Hostel fica bem na baixa, o centro histórico de Lisboa, de onde é possível fazer tudo a pé. O hostel tem uma decoração bem bacana, oferecendo tours, mapas e informações, além de um café da manhã simples, porém gostoso (pães, panquecas feitas na hora, sucos, cereais, queijo, chá e café). Pagamos 56 euros por um quarto de casal.
  • Indo do aeroporto até o centro: Pegue o metrô no aeroporto (linha vermelha), salte na estação Alameda e troque para a linha verde em direção ao Cais Sodré. Depois é só saltar na estação Baixa-Chiado, o coração do centro. Aproveite e compre um cartão Viva Viagem, válido para 24 horas de transporte público (ônibus, metrô e tram, trens não estão inclusos). O cartão custa 6 euros, contra 1,40 dos tickets individuais, e inclui ônibus para Cascais e Belém.
  • Evitando os “esquemas”: Há vários vendedores de maconha tentando vender um “fino” para turistas desavisados. Além de correr risco de furtos, a droga é na verdade uma mistura de orégano, sujeira, cola etc. A polícia sabe do problema, mas não faz nada, pois não há lei contra vender drogas falsas. Há avisos na maioria dos hotéis, mas é bom estar prevenido.
  • Furadas: Li em vários blogs sobre o passeio com o bondinho amarelo conhecido como Tram 28. Para várias pessoas, esse era um jeito romântico de ver a cidade. A realidade, no entanto, está mais para um passeio a la sardinha humana. Lotado de turistas, é impossível ver qualquer coisa do lado de fora, a não ser que você dê muuuuita sorte de sentar do lado da janela. Não vale a pena. O único romantismo está em tirar uma foto do tal bondinho percorrendo as ruas históricas da cidade (de preferência sem que você esteja dentro). Outro item muito recomendado, foi uma passada nas confeitarias tradicionais (a Nacional e a Bernard, principalmente). Em ambas, fomos muito mal atendidos e achamos os doces sem graça em comparação a outros estabelecimentos de bairro. De novo, não vale o preço.
Tram 28

Tram 28: filas enormes, empurra-empurra e nenhuma vista (mas fica legal nas fotos)

tukturismo em lisboa

Pode não ser original, mas é um jeito muito mais agradável de ver Lisboa para quem não quer andar…

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3 comentários em “3 noites em Lisboa: dicas para aproveitar a capital portuguesa sem cair nas furadas

  1. Estive em Lisboa em agosto de 2013 só por 2 dias e conheci a Torre de Belém, Oceanário, Cassino,Teleférico, Bairro Alto e Mosteiro dos Jerônimos. Da próxima, vou seguir suas dicas, principalmente a do bonde, iria me dar mal se não visse.
    Obrigado.

  2. Adorei suas dicas le!!!!! Contando os dias para nossa viagem!!!!

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