Corridas com obstáculo: sua próxima viagem de aventura? Leia a entrevista com um atleta da Tough Mudder!

Você pode não fazer nenhum exercício além do levantamento de copo, mas é só abrir as redes sociais que qualquer um consegue ver como as corridas, meio-maratonas e triathlons se tornaram populares. O esporte é tão viciante que vários atletas amadores vão se especializando até completarem provas mais difíceis em outras cidades. É lógico que era só uma questão de tempo até alguém inventar uma competição ainda mais desafiadora que motivasse centenas de pessoas a viajarem para testarem seus limites: as corridas com obstáculos.

O esporte, conhecido como “Obstacle Races” lá fora, é uma mistura de corrida com vários desafios físicos ou obstáculos inspirados no treinamento militar, geralmente passando por terrenos instáveis e podendo incluir escalada em paredes, deslocamento de objetos pesados​​, natação em correntezas, rastejo sob arame farpado e até saltos sobre objetos flamejantes. Todos os obstáculos são pensados para testar a resistência, força, velocidade e destreza do atleta. O número de eventos desse tipo vem subindo rapidamente nos EUA, Inglaterra, Austrália e em outros países, levando ao lançamento da revista Obstacle Race no Reino Unido em 2013 e de versões similares ao redor do mundo.

O desafio mais famoso e mais procurado é a Tough Mudder. Lançada em maio de 2010 nos EUA, mais de 1.3 milhões de pessoas já participaram desse percurso desafiador com aproximadamente 19 km de corrida, obstáculos e natação em águas geladas. Para complicar ainda mais, o trajeto é mantido em segredo até o dia do evento. Nesta prova, o trabalho em equipe é bastante valorizado, sendo mais importante o time todo passar a linha de chegada do que somente um membro conseguir um tempo mais rápido. Enquanto 78% dos participantes chegam ao final da competição regular, poucos terminam a versão mais enlouquecida da prova que dura 24 horas, a World´s Toughest Mudder.

Um videozinho mais do que explicativo para vocês!

Outras provas famosas do mesmo tipo:

Tough Guy: Organizada no Reino Unido, tem mais ou menos 13 quilômetros. A corrida de inverno ocorre em temperaturas abaixo de zero e inclui coisas como rastejar sob arame farpado e se equilibrar em cordas escorregadias. Há uma versão onde os participantes carregam uma cruz nas costas durante todo o trajeto.

Spartan Death Race: Acontece no Canadá e leva mais de 40 horas, misturando “obstacle race” e alguns aspectos de corrida de aventura (como navegação). A prova inclui desafios nada tradicionais, como comer uma sacola de cebolas cruas. Em 2011, dos 200 desafiantes, apenas 35 chegaram ao final. O site oficial é YouMayDie.com. Nada mais apropriado.

Realmente, as provas são dificílimas, nem um pouco parecidas com as Olimpíadas do Faustão. Para os que gostam de filmes de aventura, mas não são nada chegados a desafios físicos, recomendamos relaxar no sofá e se aventurar com a entrevista que fiz com o Maurício Sperandio, um desses atletas loucos que completaram algumas corridas de obstáculos, tanto no Brasil, como lá fora.

Dados do Atleta: Maurício Venâncio Sperandio, 35 anos, Cardiologista.

Giros:  Como você começou a correr? Qual é a sua rotina de treino atual?

Maurício: Comecei a correr em 2012, após alguns anos de sedentarismo, ao me recuperar de uma cirurgia na coluna cervical. Decidi que minha vida precisava disso. Atualmente corro quatro vezes por semana, totalizando cerca de 50 a 65 km. O objetivo é manter uma média de 12 a 15 provas por ano, principalmente em trilhas e montanhas.

Maurício no começo da Tough Mudder

Maurício no começo da Tough Mudder

Giros: Como você descobriu as corridas de obstáculo? O que te fez se interessar por esse tipo de prova?

Maurício: Do asfalto, parti para uma verdadeira relação de amor com as trilhas. É incomparável estar em meio a natureza, no silêncio de uma floresta, no alto de uma montanha. Mas isso não quer dizer que a aventura não nos acompanhe nesses locais. Muito pelo contrário! E, exatamente por isso, descobri pela web as provas de obstáculos que têm percursos de distância variável, com barreiras geralmente em estilo militar e com muita, muita lama.

Maurício correndo coberto por lama na Tough Mudder

Maurício correndo coberto por lama na Tough Mudder

Giros: Quais provas do gênero que já completou e aonde?

Maurício: Já participei, aqui no Paraná, da Naventura Obstacles Race e da I Can Be Extreme, provas de obstáculo que se utilizam fundamentalmente dos desafios impostos pelo terreno. Mas meu sonho era encarar a prova regular considerada a mais dura do mundo, a Tough Mudder. E esse sonho foi realizado em maio deste ano, no frio de Ohio, fronteira entre Canadá e Estados Unidos.

Em um dos obstáculos da Tough Mudder

Em um dos obstáculos da Tough Mudder

Giros: Conte um pouco sobre o que viu e os obstáculos mais difíceis na Tough Mudder. Teve algum momento em que pensou em desistir?

Maurício: A Tough Mudder é uma corrida com um percurso de 16 a 19 km, com cerca de 20 obstáculos e lama durante quase todo o trajeto. E quando me refiro a lama, faço questão de contar que gruda, escorrega, afunda, suja e gela até a alma! O que é infinitamente divertido, posso dizer. Já os obstáculos são criados para explorar a força, o equilíbrio, a coordenação e a coragem do participante. Paredões de 5 metros de altura para se subir com corda, barras em triângulo para transpor uma piscina de lama, tubulações subterrâneas completamente escuras onde a claustrofobia impera. Em dado momento, o desafio é carregar nas costas de um completo desconhecido e, depois, ser carregado por ele por um trecho de 100 metros. Noutro, você se encontra pulando de uma plataforma alta na água gelada e enlameada. Mas, para mim, o mais terrível dos obstáculos foi o chamado Arctic Enema, uma piscina de puro gelo, com uma barreira no meio que obriga o participante a mergulhar em temperaturas abaixo de zero, provocando agulhadas no corpo inteiro pelo frio extremo. É indescritível e, ao mesmo tempo, recompensador, por levar à superação. Agora, quanto a desistir, juro que isso nunca passou pela minha cabeça. Muito pelo contrário! A cada novo obstáculo, mesmo com as forças se esgotando rapidamente, a curiosidade pelo que viria a seguir me impulsionava cada vez mais. E, mesmo que pensasse em abandonar o circuito, a característica fundamental desta prova é ser colaborativa e não competitiva. Não existe pódio, cronometragem de tempo ou ganhadores. O espírito do evento é todos se ajudarem uns aos outros. E nisto está a verdadeira vitória.

O tal Arctic Enema. Dá frio só de olhar!

O tal Arctic Enema. Dá frio só de olhar!

O túnel de lama. Blergh!

O túnel de lama. Blergh!

Atletas tentando passar obstáculos de subida na Tough Mudder

Atletas tentando passar obstáculos de subida na Tough Mudder

Giros: Como você se prepara para as provas, como é o treino e a alimentação? Difere do treino regular para corrida?

Maurício: Para se correr bem, não basta apenas correr. A musculação é fundamental. Principalmente em trilhas e montanhas. E quando entram os obstáculos, o treinamento muscular dirigido é obrigatório. Minha alimentação não possui nada de especial, exceto uma leve tendência a redução de carboidratos e aumento de proteínas.

Atleta tentando alcançar obstáculo na Tough Mudder

Atleta tentando alcançar obstáculo na Tough Mudder

 Giros: Quais dicas você daria para alguém pensando em fazer uma prova similar?

Maurício: Não pense duas vezes, faça. Vença seus medos. E, sobretudo, divirta-se!

Linha de chegada de uma das provas da Tough Mudder

Linha de chegada de uma das provas da Tough Mudder

 

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