Ouro Preto, segundo dia: passeios históricos!

Apesar de termos ido cedo para cama no dia anterior, acabei não dormindo tão bem quanto gostaria. Imagine uma cidade universitária numa quinta à noite, uma semana antes do carnaval… Pensou em bêbados gritando pela rua ao som de uma escola de samba mequetrefe? Então você adivinhou o que era estar no quarto com a gente.

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Algumas das repúblicas de estudantes em Ouro Preto

Mesmo assim, acordamos relativamente cedo para fazer um pouco do circuito histórico com calma. Disse “um pouco” porque Ouro Preto tem mais de 20 igrejas e capelas e eu e Guico não tínhamos tempo nem disposição para conhecer todas. Assim, escolhemos visitar só as que consideramos serem as igrejas e museus mais emblemáticos da região.

Começamos com a Igreja de Nª. Sra. do Carmo (ingresso por R$ 3,00/pessoa), um dos últimos projetos arquitetônicos do pai de Aleijadinho, esta é a única igreja que apresenta azulejos portugueses nas paredes do altar. Não esqueça de pegar o texto histórico disponível na entrada, ele tem informações legais que deixam a visita mais interessante, principalmente para leigos em simbologia católica como eu.

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Fachada de Nsa. Sra. Do Carmo. (Não pode bater foto lá dentro)

De lá, fomos para a Igreja de São Francisco de Assis (R$ 8,00/pessoa). Construída em estilo rococó, sua estrutura foi projetada e ornamentada por Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, que passou vinte e nove anos trabalhando em sua arquitetura. O famoso Mestre Ataíde, um dos primeiros precursores da arte genuinamente brasileira, pintou todo seu belo interior, com destaque para o painel no teto de madeira da igreja, onde Nossa Senhora e todas figuras bíblicas ali representadas apresentam feições mulatas.

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Igreja de São Francisco de Assis

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Painel de Ataíde (retirado da internet)

Pretendíamos conhecer também a Matriz de Nª. Sra. da Conceição e o anexo Museu Aleijadinho, porém ambos estavam fechados para reforma. Depois de uma pausa para um café com broa de milho molhadinha na charmosa Cafeteria e Livraria (perto da Praça Tiradentes, no Centro Cultural e Turístico do Sistema FIEMG), pulamos para o último item da nossa lista, o Museu da Inconfidência Mineira, localizado no mesmo edifício onde funcionava o principal prédio público da Coroa, o Palácio dos Governadores, a Câmara e a cadeia. Como faz literalmente décadas que estudei o tema na escola, achei a informação e os artefatos expostos interessantes e educativos.

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Museu da Inconfidência Mineira na Praça Tiradentes

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Passeando pela cidade à tarde

Terminamos a visita histórica logo no começo da tarde, então resolvemos pegar o carro e visitar Mariana, outra vila antiga vizinha a Ouro Preto. A 4 km da cidade, fica o ponto turístico mais interessante desse antigo distrito, a Mina da Passagem (R$35,00/pessoa). Aberta no início do século XVIII pelos ingleses, seus túneis formam uma estrada subterrânea entre as cidades de Ouro Preto e Mariana, razão da origem de seu nome. Com nove níveis escavados, quatro deles abertos à visitação, seu tamanho e profundidade impressionam. São 30 km de galerias e canais escavados, onde há inclusive um lago submerso com 240 metros de profundidade, hoje usado para a prática de mergulho em cavernas (disponível somente nos finais de semana). Para nós, a mina é o passeio mais legal de Mariana. Até demos uma volta pelo centrinho histórico da cidade, mas achamos Ouro Preto muito mais interessante e bonita.

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Guico no trolley de 131 anos que leva à mina

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Dentro da mina

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Sobre o mergulho nas cavernas

Do que queríamos fazer em Ouro Preto, tinha faltado somente comer uma boa comida mineira. Você pode pensar, “mas vocês não estão em Minas?” Pois é, achar um bom restaurante típico por aqui soa mais fácil do que é. Por ser muito turística e também universitária, a gastronomia na cidade ainda foca em comida para gringo, ou para estudantes (o restaurante número um no Trip Advisor é uma pizzaria). Depois de pesquisar bastante, decidimos jantar no Restaurante Casa do Ouvidor em nossa última noite. A comida mineira estava deliciosa, independente do ambiente e dos preços serem um pouco over para o feijão tropeiro que pedimos.

E assim acaba nossa viagem. Deixo a antiga Vila Rica com uma sensação gostosa, meus dois dias na cidade foram deliciosos! Mas também fica aquela coceira, aquela ansiedade, aquela vontade conhecida por muitos viajantes… Pois conhecer mais um pedacinho do Brasil só inflama o desejo de jogar umas roupas na mala, pegar o carro, e me perder país adentro.

 

OUTRAS INFORMAÇÕES:

  • Quando planejar sua viagem para Ouro Preto, não vá segunda-feira, quando poucas atrações turísticas funcionam.
  • Ficamos hospedados na Pousada Hospedaria Antiga, estabelecida no mesmo prédio do primeiro arquivo de Minas, pertinho da Praça Tiradentes (só leve um tênis porque tem que subir uma boa ladeira, como em toda Ouro Preto). O local é simples, mas cheio de personalidade, com móveis de época e grandes portas de madeira que usam chaves gigantes de ferro. O café da manhã é muito gostoso, com pão de queijo quentinho, bolos, frutas, dois tipos de pão, frios, sucos e café. O atendimento também foi excelente, porém eles só aceitam dinheiro (gastamos R$130/diária em quarto de casal). Outra opção um pouquinho mais cara é a Pousada Minas Gerais, pertinho da Hospedaria Antiga.
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Chave antiga da Pousada Hospedaria Antiga

  • Dá para conhecer Mariana a bordo de uma Maria-Fumaça. Durante a viagem, é melhor sentar do lado direito para ver cachoeiras, cânions e o Ribeirão do Carmo. Ou fique no último vagão, para, na curva, o trem sair bem na foto. A viagem dura uma hora. O passeio completo (ida e volta) custa R$ 50 no vagão comum. No vagão panorâmico, R$ 60 ida ou R$ 80 ida e volta. Mas é bom checar se o trem está funcionando, pois é comum estar parado para reparos (como quando estivemos por lá).
  • A cidade fica lotada nos dias de evento, finais de semana e feriados. Caso pretenda visitar a cidade nestes dias, faça sua reserva de hospedagem com bastante antecedência e fique ciente de que vai pagar um pouco mais caro.
  • Apenas as igrejas de Nossa Senhora dos Pretos e São Miguel e Almas têm entrada gratuita. Nas demais, existe a cobrança de ingresso, que varia entre R$ 1,00 e R$ 6,00, em média.
  • Um fato muito comum e chato em Ouro Preto é o turista ser abordado por pessoas que se oferecem como guias de turismo na porta das igrejas. Caso realmente queira contratar um guia, peça indicação no posto de informações turísticas na Praça Tiradentes.
  • Ao estacionar nas ruas de Ouro Preto, compre antes o bilhete de estacionamento em alguma farmácia, restaurante ou qualquer outro principal estabelecimento da cidade. Caso não coloque o papel no vidro do carro, você corre sério risco de tomar uma multa ou ser rebocado.
  • Passeios que não fizemos: ouvimos falar super bem da visita à Mina de Chico Rei em Ouro Preto e do passeio ao Pico do Itacolomy (você vai até o Parque do Itacolomy e faz diversas trilhas).

 

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5 comentários em “Ouro Preto, segundo dia: passeios históricos!

    • Obrigada, Carol! Estes são os posts “importados”, que já existiam no blog com o formato antigo, mas tem muita coisa legal por vir! bjão

  1. Só fui a Ouro Preto durante a adolescência. Amava visitar a cidade! Tenho ótimas lembranças. Mas agora acho que seria interessante voltar com meus novos olhos. 😉

  2. Ouro preto é sempre legal de se visitar! Com amigos, esposa, filhos, sempre tem algo para ser feito!
    By the way, tem ótimas cervejas artesanais!!!

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