Ciudad del Este/Paraguai, vale a pena!

Sabe aquela lenda urbana do viajante desavisado que é drogado e acorda sem um rim em uma banheira cheia de gelo? Ela deve ter sido inventada por alguém que visitou a Ciudad del Este no Paraguai. Ô lugarzinho feio! Uma mistura piorada de Madureira com Rua 25 de Março, com milhares de vendedores insistentes em ruas apertadas e sujas.

A verdade é que a beleza da cidade não importa. Ninguém cruza a fronteira para tirar fotos das paisagens, o alto índice de turistas ali tem uma única razão: as compras. Como as lojas no país pagam impostos menores e apostam em uma estratégia de alto volume com margens inferiores às praticadas no Brasil, fazer compras no país vizinho vale muito a pena. Tanto que há brasileiros adquirindo visto de residência no Paraguai somente para comprar carros por lá. Compensa mesmo? Sem dúvida. Uma filmadora Go Pro Black Edition, por exemplo, custa em torno de U$ 886 no Brasil. Ao atravessar a fronteira, o mesmo produto fica em U$ 427. Dá para comprar duas câmeras e ainda almoçar. Mas e se eu for parado pelos fiscais brasileiros na volta, vou pagar imposto? Vai. Porém o valor cobrado é de 50% em cima do excedente da cota permitida, que é de U$ 300/pessoa. Ou seja, para a Go Pro, o valor total cobrado seria de U$ 63,50, aumentando o custo da câmera para U$ 490,50, ainda muito inferior ao preço brasileiro. Tá esperando o que para fazer as malas?

Ciudad del Este fica há uns 45 minutos de carro de Foz (dependendo do trânsito) e há várias maneiras de cruzar a Ponte da Amizade, que liga os dois países. Você pode ir com seu carro, porém o risco de ser parado pelos fiscais é maior. Por isso, muitas pessoas estacionam perto da fronteira em Foz e pegam um mototáxi até o outro lado. Por R$ 10/passageiro, a maior vantagem desse modo de transporte é que as motos não pegam a longa fila dos ônibus, táxis ou vans. Mas só aceite mototáxis credenciados (os motoristas tem coletes e identificação da cidade), para evitar problemas. É obrigatório usar capacete, então se não quiser colocar um que já passou por milhares de cabeças estranhas, leve uma toquinha. Para nós, era melhor fazer o trajeto com a van do hotel. Por R$ 40/pessoa, eles nos deixaram às 9h no Shopping Americanas, localizado na entrada da cidade, com duas opções de horários para a volta, ao meio dia, ou às 16 horas. Achamos um valor em conta para o serviço de porta à porta.

Para passar o menor tempo possível na bagunça paraguaia e ainda levar tudo o que deseja para casa, o negócio é pesquisar antes os produtos nas lojas da cidade. É só entrar no site de Compras do Paraguai e digitar o que você quer. Assim, você já chega sabendo aonde ir e quanto dinheiro levar (real e dólares são aceitos, assim como cartões de crédito, embora alguns lugares cobrem uma taxa de 5 a 10% em cima da fatura para essa opção de pagamento e não há parcelamento). Se sobrar tempo, e você quiser bater perna para ver se encontra aquela barganha, o negócio é passear pelas grandes lojas dos shoppings Vendome e Lai Lai (várias lojas de computadores, máquinas fotográficas e eletrônicos) e pela SAX e Monalisa, que vendem perfumes e roupas de marcas a preços americanos. Só recomendamos andar com um mapinha da cidade, para evitar se perder no emaranhado de camelôs (acredite, é mais fácil do que você pensa).

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O mais complicado da viagem foi achar um lugar decente para almoçar. Nós resolvemos fazer um lanche no Monalisa (pão-de-queijo com café), mas se você tiver o estômago forte, pode se aventurar nas lojas cheirando à gordura velha na praça de alimentação do Shopping Americanas. Também tem um Mc Donalds de rua que parece ser seguro (amigos nossos comeram lá e sobreviveram).

Apesar da chuva que causou uma enxurrada de lixo na rua, do barulho, da sujeira, dos vendedores de rua chatos, da bagunça, vale a pena passar no Paraguai. Primeiro, para você ter a sensação que mora no paraíso (qualquer lugar longe dali é maravilhoso), segundo porque somos muito explorados no Brasil e poder comprar algo por um valor mais justo é uma sensação deliciosa, que paga a visita a qualquer inferninho.

 

OUTRAS INFORMAÇÕES:

  • A loja Bariloche no Shopping Americana entrega em Foz do Iguaçu sem custo. Os eletrônicos lá são um pouco mais caros que em outras lojas da Ciudad del Este, mas pode ser uma boa opção para quem não quer arriscar pagar muito imposto.
  • O Paraguai não tem horário de verão. Lembre-se disso ao marcar o horário de saída com o motorista da sua van.
  • À medida que você se aproxima da Ponte da Amizade, aparecerão vários “guias” oferecendo seus serviços no Paraguai. Não caia nessa. Eles são funcionários das lojas paraguaias, pagos para levarem consumidores aos “estabelecimentos conveniados” e não para onde é melhor para você.

 

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3 comentários em “Ciudad del Este/Paraguai, vale a pena!

  1. A pizza de calabresa da lanchonete da americanas eh mto gostosa!!! 😉 lojas como a master 10 passam contato de pessoas que levam os produtos p seu hotel em foz, cobrando mas vale a pena!

  2. Pingback: Cataratas do Iguaçu – Lado Brasileiro | Giros Por Aí

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