Cataratas do Iguaçu – Lado Brasileiro

Comparada à Curitiba, Foz do Iguaçu é uma cidade pequena, com apenas 256 mil habitantes. Mas não se engane, há muito o que fazer por lá, isso sem incluir as viagens para conhecer a Argentina ou para fazer compras no Paraguai. Como só teríamos um dia inteiro na cidade, tivemos que escolher somente algumas das atividades disponíveis. O dia seria corrido outra vez, passando pelo Parque das Aves e pelas Cataratas (um parque fica de frente para o outro), com pausa para provar a culinária local antes do passeio noturno por Itaipu. Dos passeios selecionados, tivemos que abortar a visita ao Polo Astronômico, que tem um dos poucos telescópios para observação do sol, pois estava fechado para reparos. 

Sem saber muito a respeito, confesso que incluimos a visita ao Parque das Aves somente porque o Rafa, nosso amigo, é responsável pelo novo marketing dessa instituição, que desde 1993, foca na preservação de várias espécies de aves, muitas em extinção. Acho que eu imaginava um tipo de zoológico, com papagaios e passarinhos escondidos em gaiolas apertadas. Não podia estar mais errada.  A visita ao parque é feita através de caminhos pela mata atlântica, onde as aves sobrevoam sua cabeça despreocupadamente. Há várias espécies nativas e outras consideradas exóticas, como o Casuar, uma ave pré-histórica, prima do avestruz e da ema, cuja a patada pode equivaler a mesma força de um pequeno punhal, podendo até decepar um membro.

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Passeando na mata com as aves ao fundo.

 

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Com vocês, o Casuar!

Saindo do santuário, é só atravessar a rua e ir direto para o Parque das Cataratas. Nós compramos o ticket online, para evitar as filas de uma hora e meia que minha prima havia encontrado na semana anterior. O parque oferece dois passeios principais, a trilha com vários mirantes de frente para as cataratas que culmina no lado brasileiro da Garganta do Diabo, e o passeio de barco do Macuco, que leva os visitantes em um bote até a base de algumas quedas laterais por um adicional de R$ 170/pessoa (não achamos que valia a pena pelo preço).

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Logo no começo do parque, há um ônibus que faz paradas nas entradas de todos os passeios do mapa, indo  até o ponto-final, base do primeiro mirante. De lá até a Garganta do Diabo são aproximadamente 40 minutos de caminhada. Realmente, a vista das cataratas do lado brasileiro é estonteante. Se do lado argentino é possível sentir a força das quedas nas passarelas suspensas, no Brasil conseguimos contemplar toda a beleza natural do complexo das cataratas.

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Vista das Cataratas dos Mirantes

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Família de Quatis na Trilha

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Mirante para Garganta do Diabo do lado brasileiro

Saímos do Parque Iguaçu como no dia anterior, melados e cansados. Depois de umas horinhas à toa no hotel, porque ninguém é de ferro, fomos provar um prato local, o Pirá de Foz. Eleito em 1996 como prato tradicional da cidade, a receita é feita à base de dourado ou surubim (peixes típicos do Rio Paraná), mandioca, espinafre, arroz, cenoura, pimentão vermelho, gengibre e temperos. Só encontramos um restaurante que servia o Pirá, talvez porque seu título forçado não tenha sido abraçado pela população.

Talvez pela mesma razão, achamos a comida do Trapiche Restaurante mal feita. O peixe estava seco, o purê era pura manteiga e apesar de o sabor dos temperos ser imperceptível, o preço foi bem salgado. Deixamos o restaurante um pouco decepcionados, sentimento que iria ditar o resto da noite.
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Pirá de Foz

Chegamos a Itaipu, o último passeio do dia, um pouco atrasados para o tour e show de luzes que começaria às 21 horas. Ainda bem que já estávamos com os ingressos! Ou não. A tal iluminação especial da barragem nada mais é que um acender de luzes com música. Não há absolutamente nada de especial. Ligar as luzes no banheiro da sua casa com o ipod no ouvido provavelmente causará a mesma emoção.
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Barragem Itaipu iluminada

Mesmo assim, se você gostaria de conhecer um pouco mais sobre a história de Itaipu, esse é o melhor  passeio da lista (por ser o mais curto). No entanto, caso você seja um engenheiro aficionado, ou um desses malucos por fábricas e máquinas, vale fazer o Circuito Especial, que mostra as turbinas e como tudo funciona lá dentro. Como nós gostamos mais da nossa cama, ainda mais com os planos de cruzar a fronteira do Paraguai aos primeiros raios de sol, resolvemos encerrar as aventuras hidrelétricas por ali e nos preparar para enfrentar a Rua 25 de Março piorada que nos esperaria no dia seguinte. E quanto aos dois lados das cataratas, qual o mais bonito? Como eu disse no texto sobre o parque argentino, é realmente impossível dizer. As sensações e o ponto de vista sobre essa beleza natural são diferentes nos dois países. Melhor que ficar escolhendo um lado da fronteira é poder apreciar essa maravilha que na verdade não pertence a nenhuma nação, mas a todos nós.
OUTRAS INFORMAÇÕES:
  • Para fazer o Circuito Especial por dentro de Itaipu, deve-se usar sapato fechado e, pelo menos, bermuda até os joelhos (ou calça).
  • O rafting oferecido no Parque das Cataratas do lado brasileiro está mais para uma boia gigante, do que para um esporte de aventura. Então, se você busca adrenalina, é melhor gastar os R$ 80 do ingresso em outra coisa.
  • É melhor levar uma muda extra de roupa para o passeio de barco do Macuco, pois você terminará encharcado. O parque oferece armários e vestiário.
  • Translado: Como ficamos na Av. das Cataratas (ao lado do parque), gastamos somente R$ 30/ida e volta com a Harbor Turismo (a maioria dos hotéis por ali oferece sistema de translado para o parque).
  • Hospedagem: Tivemos problemas em nosso hotel, o Harbor Colonial, apesar da agência de turismo localizada ali dentro ser excelente (a Harbor Turismo atende em outros lugares, caso você precise). Na Avenida das Cataratas, recomendamos o Canzi Hotel, onde um amigo sempre se hospeda. Fique atento, pois o preço da hospedagem varia bastante dependendo da época do ano. Como era alta temporada, o quarto para uma pessoa estava em R$ 150, enquanto ao longo do ano, o mesmo custava somente R$ 80.

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