Cataratas do Iguaçu – Lado Argentino

Tendo conhecido vários argentinos gente-boa ao redor do mundo, nunca curti muito a implicância com los hermanos (que eu sinto vir mais da gente, do que deles). Dizem que a rixa nasceu do futebol, mas hoje tudo parece motivo para alimentar a disputa: como as pessoas se vestem nos dois países, quem tem o churrasco melhor, qual lado das cataratas é mais bonito. Sim, o duelo todo é uma asneira. Mas se você quiser opinar, aproveite para começar pelas cataratas, conhecendo de coração aberto os dois parques que, sem dúvida, têm personalidades distintas. 

Nós começamos a visita às Cataratas do Iguaçu, cartão postal considerado uma das 7 Maravilhas Naturais do Mundo, pelo lado argentino. A ideia inicial era conhecer o parque durante o dia e depois aproveitar outras atrações: ver o por-do-sol na tríplice fronteira (ponte localizada na confluência dos rios Iguaçu e Paraná, aonde é possível avistar as margens dos três países, Brasil, Argentina e Paraguai), passear por algumas lojas de vinho (ótima oportunidade para trazer garrafas boas e mais baratas) e jantar. Resolvemos fazer tudo na Argentina no mesmo dia para maximizar o custo do translado entre os dois países, já que não estávamos de carro e o trajeto mais barato entre o hotel e o parque ficaria em R$ 150/ida e volta.

Logo que chegamos ao Parque Iguazú (ingressos e outras informações aqui), vimos que o plano não funcionaria. Com uma lista interminável de passeios disponíveis, fomos avisados que passaríamos o dia inteiro ali, o que pode ser verdade se você optar por fazer todas as atividades do parque. Não era o nosso caso. Chegamos por volta de meio dia no relógio dos hermanos (dos três países da fronteira, somente o Brasil tem horário de verão), e escolhemos dois passeios que tomariam no máximo quatro horas, o Circuito Superior e o trem para a Garganta do Diabo. Seria impossível ficar esperando tanto tempo no calor massacrante para ver o sol se esconder (o que no verão só acontece lá pelas 20:30). Entonces, se você não quiser ficar zanzando entre os países, planeje-se para chegar mais tarde. Como o parque funciona das 8h às 18h, dá para almoçar no Brasil e ainda ver tudo do lado argentino com calma. Ah! E leve uma muda de roupa para trocar depois de um “banho” nos chuveiros disponíveis nas saídas das trilhas, já que o calor é impiedoso e ninguém merece sair para jantar todo melado.

Image

Passeios Lado Argentino

Existem duas trilhas principais do lado argentino, o Circuito Superior, com 650 metros de passarelas suspensas por cima das quedas de água, e o Circuito Inferior, mais acidentado, que serpenteia por 1.400 metros de mata e cachoeiras. Para nós, o circuito superior, que leva mais ou menos 1 hora, já era suficiente. O trajeto passa por várias quedas impressionantes, aquelas que só avistamos do lado brasileiro. E ainda é repleto de borboletas, pássaros, tartarugas e milhares de quatis, um mamífero carnívoro que parece soooo cute, até morder turistas com síndrome de Felícia que tentam alimentá-los.

Image

Trilhas por cima das quedas

Image

Espetáculo de vista!

Image

Animais nas trilhas do parque

Além das trilhas, há outros passeios legais, com destaque para a visita à Ilha de San Martin (que estava fechada) e o trem para a Garganta do Diabo. O bondinho é meio velho e lento, mas em 20 minutos chega à impressionante queda, a maior das cataratas. Há um mirante quase em cima da Garganta, onde você consegue sentir a imensa força da água (e se molhar todo também).

Image

Bondinho para a Garganta del Diablo

Image

Garganta del Diablo vista de cima

Image

Como previmos, terminamos os dois passeios às 15:30, exaustos e encharcados de suor. Não havia a menor possibilidade de ficarmos na Argentina até o final do dia, a não ser que fosse para dormir com os animais (estávamos cheirando como eles). Por sorte, um amigo tinha ido para Foz a trabalho e também estava a fim de jantar em Puerto Iguazú. Depois de um merecido banho e uma hora na fila de carros para entrar na Argentina, eu, Guico e  nosso amigo Rafa, chegamos ao maravilhoso Jasy, um restaurante um pouco mais afastado do centro da cidade argentina, com mesas espalhadas em um deque ao ar livre e uma linda vista. Adoramos a comida e o serviço, mas é bom levar dinheiro, já que eles não aceitam cartões de crédito (a conta para 3 pessoas com couvert, três entradas, três pratos principais, garrafa de vinho, água, cerveja, gorjeta etc., deu R$ 220).

Achou o jantar barato? Em relação aos preços usuais do Brasil, foi quase de graça. Aliás, tudo na Argentina costuma ser mais em conta. Razão pela qual muita gente escolhe se hospedar por lá, ou pelo menos levar vários vinhos na mala e passear pelo cassino e outros restaurantes da região. Programas que provavelmente faremos em uma segunda viagem, pois apesar de termos adorado o Parque Iguazú e o dia na Argentina, não poderíamos voltar para Curitiba sem conhecer o lado brasileiro das Cataratas, nosso super programa para o dia de amanhã!

 

OUTRAS INFORMAÇÕES:

  • Documentos: Para passear livremente pelas fronteiras dos três países, leve o RG (ou o passaporte). Alguns fiscais podem implicar com a CNH.
  • Hospedagem: Se você quiser visitar ambos os lados das Cataratas, tanto faz se hospedar no Brasil (de preferência na Avenida das Cataratas, que fica bem perto do aeroporto e do parque brasileiro) ou na Argentina. Porém, se as compras no Paraguai fizerem parte do itinerário, é melhor ficar no Brasil, para ficar no meio do caminho para ambos países.
  • Transporte: A maioria dos hotéis oferece vans para fazer a travessia (para a Argentina ou Paraguai). O translado oferecido em nosso hotel, que ficava na Avenida das Cataratas, custou R$ 150/ida e volta até o Parque Iguazú do lado argentino. Os taxistas costumam cobrar R$ 200 pelo mesmo trajeto (cotamos 4 motoristas diferentes). Carros alugados também são rejeitados na fronteira, já que há o perigo de roubo, porém, se você for dirigindo o próprio carro, não há nenhum problema. Para quem passa somente a primeira fronteira argentina (para jantar e passear em Puerto Iguazu, como fizemos), não há necessidade de obter a guia verde. Caso queira se aventurar país adentro, esqueça. Os fiscais pedirão seus documentos pessoais, além da tal guia. Lembrando que as filas de carro para a Argentina são longas, demorando às vezes mais de uma hora. Nisso, as vans de turismo levam vantagem, pois têm fila especial (passamos praticamente direto quando fomos ao parque).
  • Comunicação: O parque argentino, bem como restaurantes e outras atrações em Puerto Iguazú, estão super preparados para atender brasileiros. Todos atendentes falam português muito bem.
  • Moeda: A maioria dos lugares na Argentina (inclusive lanchonetes dentro do parque e táxis) aceita o real, devolvendo o troco em pesos. Com exceção do Parque Iguazú, onde a entrada (115 pesos/adulto do Mercosul) só pode ser paga em espécie e em moeda local. Mas há uma casa de câmbio no próprio parque e outra no caminho para a Argentina, dentro da loja Presentes e Chocolates das Três Fronteiras.
  • Puerto Iguazú: É uma cidade mais noturna. Os argentinos jantam mais tarde e lojas de vinho e supermercados fecham somente às 21h.
  • Lojas de Vinho: Duas boas opções são a Caminos Iguazu, localizada em um shopping novo, e a Vinoteca Oda, com grande variedade de rótulos. Para não pagar imposto, a regra é comprar até 12 litros (não garrafas) de bebidas alcóolicas por pessoa, desde que o valor total não exceda U$ 300/pessoa (mais dicas sobre os impostos entre as fronteiras aqui).
  • Outros restaurantes legais: La Rueda (opção tradicional dos viajantes, com carnes a bom preço) e La Vaca Enamorada (ótimas carnes).
  • Free Shop: Entre as aduanas do Brasil e da Argentina (bem na frente dos fiscais argentinos), há um dos maiores Duty Frees da América Latina. Os preços são mais altos do que no Paraguai, porém, mais baixos do que no restante do Brasil. Se não der para dar um pulinho na Ciudad del Leste, vale passar por ali. A loja tem estacionamento gratuito na frente e funciona das 10h às 22h.

comments2

Anúncios

6 comentários em “Cataratas do Iguaçu – Lado Argentino

  1. Pingback: Cataratas do Iguaçu – Lado Brasileiro | Giros Por Aí

  2. Dica: Lugar recém aberto, com Adega Boutique e Wine Bar – VINOSOPHIE – fica bem no centrinho de Puerto Iguazu, Avenida Brasil, 136.

  3. Concordo com você, Leticia, essa rixa é ridicula! Estive duas vezes na Argentina e fui muito bem recebido! Em novembro irei de novo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: