Cusco e Machu Picchu: realmente incríveis!

Comecei a escrever esse texto na nossa última noite em Cusco, antes da partida para Machu Picchu. Estou sentada em um dos puffs do pátio do hostel, tomando um chá de coca (que, by the way, é até gostosinho) e observando a galera ao redor. Adoro conhecer pessoas de diferentes lugares, com diferentes espíritos. Essa é a razão mais legal para ficar em albergues, conhecemos uns personagens bem interessantes em nossas viagens, mesmo que às vezes o lugar em si não compense, pois tem muita espelunca por aí se denominando “hostel” simplesmente por ser barata. O que não é o caso do albergue em que ficamos em Cusco. O Pariwana é o tipo do lugar que gosto. O hostel é grande, bem organizado, com quartos confortáveis, bar, restaurante com boa comida, atividades diárias, café da manhã e wifi gratuitos, agência de viagens própria, tudo isso em uma construção antiga que lhe dá todo um charme.

Pariwana Hostel

Pariwana Hostel

Aliás, charme é uma ótima palavra para definir a cidade inteira. Com ruas e calçadas de pedra, a arquitetura atual possui a estrutura urbana do Império Inca, porém com adições dos colonizadores espanhóis, que construíram mosteiros e casas senhoriais no estilo barroco sobre a cidade pré-colombiana. Cusco é cheia de vida, um vai e vem incessante de turistas e mulheres que fazem seus afazeres diários com os filhos enrolados em uma manta tradicional nas costas. A Plaza d’Armas está cheia de restaurantes e lojinhas interessantes, porém com preços um pouco mais altos que nas ruas paralelas. Em uma dessas calles alternativas, achamos o Fuego Burguer, que serve um hambúrguer de alpaca delicioso e fica a uma boa distância dos hawkers da Plaza, aqueles vendedores chatos e insistentes que só faltam te agarrar pelo braço.

Mãe carregando filha nas costas

Mãe carregando filha nas costas

Arquitetura Charmosa

Arquitetura Charmosa

Outro prato típico da região é o cuy, porquinho da Índia assado ou recheado. Dizem que a carne é super nutritiva e com baixo teor de gordura. Nós provamos a iguaria em Lima, como parte da deliciosa experiência gastronômica do Astrid y Gastón! Em Cusco, há alguns restaurantes tradicionais, como o Inka Grill, uma boa parada depois de um tour histórico pela cidade. Falando em tour, há um city tour oficial em um daqueles ônibus vermelhos de dois andares, incluso no boleto turístico de 130 soles que cobre vários pontos históricos da região, mas nós acabamos fazendo somente o Free Walking Tour, que sai da Plaza Regocijo todos os dias às 12:15, passando por bairros menos óbvios. Por apenas uns trocados para o guia, o FWT oferece um cartão de descontos, dicas locais e experiências culturais e gastronômicas, como a visita ao Museu do Chocolate, onde provamos um pouco do doce e um chá feito com a raiz do cacau. Esse, na verdade, é o museu mais interessante da cidade (mais pela sobremesa do que pelas informações). Visitamos também o Museu Inca (10 soles), porém achamos a informação exposta bem rala em comparação aos museus de Lima.

Guico conhecendo um instrumento tradicional no FWT

Guico conhecendo um instrumento tradicional no FWT

Apesar de Machu Picchu ser a atração principal, há vários outros sítios arqueológicos pré-colombianos significantes a poucos quilômetros de Cusco. Em Morays, é possível ver os terraços de experimentação agrícola Inca, enquanto Pisac e Ollantaytambo são ruínas bem conservadas das cidades Incas do Vale Sagrado. Também há um passeio para Maras, uma salina antiquíssima, onde dá para comprar flor de sal e variedades de salgadinhos de milho bem baratinho. A maioria das agências oferece tours combinados, o que facilita ver tudo em poucos dias. Nós fizemos Maras e Morays (40 soles/pessoa + 17 soles de entrada) em um dia e visitamos Pisac e Ollantaytambo como parte do pacote para Machu Picchu.

Vila de artesanato no meio do tour para Maras e Morays

Vila de artesanato no meio do tour para Maras e Morays

Em comparação a todos outros passeios no Peru, ou mesmo a passeios que fizemos ao redor do mundo, visitar Machu Picchu, fazendo a trilha inca, ou mesmo em um tour agendado de trem, é bem caro. Se você tem tempo e curte trekking, há várias trilhas que levam às ruínas antigas, como a Inka Jungle (4 dias e 3 noites pela floresta) e a mais famosa, a Inka Trail Classic, que às vezes faz um detour por Salcantay quando o caminho original está lotado. O percurso da trilha inca oficial demora cinco dias e quatro noites e custa entre USD 450 e USD 700 por pessoa, dependendo do trajeto escolhido (inclui carregadores, guia e comida). Percorrer o mesmo caminho que a nobreza inca com certeza é uma experiência única, mas é necessário ter bom preparo físico e muita disposição. A trilha é bem acidentada, passando por vários desfiladeiros a uma altitude que varia de 2.400 metros a 4.125 metros acima do nível do mar. Por isso, os guias recomendam que futuros “trilheiros” fiquem pelo menos quatro dias em Cusco, localizada a 3.400 metros de altitude, para aclimatizarem. O conselho não é bobagem. Acabei desconsiderando as recomendações para evitar o mal da montanha porque não tinha apresentado nenhum sintoma assim que cheguei a Cusco, o que resultou em fortes dores de estômago e de cabeça no fim do meu segundo dia por lá.

Terraços agrícolas - Morays

Terraços agrícolas – Morays

Salinas em Maras

Salinas em Maras

 

Região do Vale Sagrado

Região do Vale Sagrado

Ruínas em Pisac

Ruínas em Pisac

Como queríamos maximizar os dias no país para conhecer mais cidades, optamos por chegar a Machu Picchu de trem. Marcamos um tour de dois dias, que incluía uma visita guiada a Pisac e Ollantaytambo no primeiro dia, passagem de trem até Águas Calientes (sai de Ollantaytambo e vai para a cidadezinha na base da montanha onde ficam as ruínas), hospedagem com jantar e café da manhã, ônibus da vila até os portões do parque no dia seguinte (a alternativa seria subir em estradinha de terra por pelo menos duas horas), guia experiente e entrada para Wayanapicchu, montanha vizinha ao parque onde é possível bater fotos panorâmicas incríveis. Apesar de gostarmos de uma aventura, decidimos que fizemos a escolha certa ao ver a exaustão dos trilheiros que chegavam ao parque fedidíssimos e sem fôlego para escutar o guia, ou muito menos para completar a subida íngreme até o topo de Waynapicchu.

Trem para Águas Calientes, base de Machu Picchu

Trem para Águas Calientes, base de Machu Picchu

Porque o ônibus é bom: olhando Águas Calientes de Machu Picchu, a subida é longa!

Porque o ônibus é bom: olhando Águas Calientes de Machu Picchu, a subida é longa!

Acabamos comprando nosso ticket um pouco em cima da hora, quando só restava o horário para o primeiro grupo de visitação, ou seja, teríamos que chegar ao parque às 6:30, assim que os portões abrem. O que parecia ser uma sacanagem do destino provou ser justamente o contrário. É que nessa época do ano começam as chuvas de verão, companhia desagradável para qualquer passeio ao ar livre. No fim, porque chegamos cedo, vimos as brumas da manhã se dissiparem com a chegada do sol, conhecemos cada cômodo inca praticamente sozinhos, escapamos das filas para Waynapicchu, tiramos fotos belíssimas e ainda descemos a montanha poucos minutos antes da tempestade chegar. Mesmo em outras estações, acho que vale a pena perder umas horinhas de sono para aproveitar o sítio arqueológico em silêncio. Dizem que Machu Picchu tem uma energia especial, o que é verdade. Mas acaba ficando difícil sentir isso com os duelos de iphones da turistada, que se estica e se acotovela a cada segundo para garantir a foto do facebook com mais curtidas.

Llama descansando nas ruínas

Llama descansando nas ruínas

"Cômodos" de Machu Picchu

“Cômodos” de Machu Picchu

A vista clássica do sítio arqueológico

A vista clássica do sítio arqueológico

Eu e Guico buscamos um terraço afastado na montanha de Waynapicchu, nos sentamos e ficamos meditando por um tempo. Tentamos deixar que Pachamama (como os incas e outros povos chamavam a força da mãe natureza) levasse os pensamentos negativos enquanto nos energizávamos com boas vibrações para levarmos às pessoas queridas e também para nosso retorno à rotina no Brasil. Deixamos a montanha com uma sensação de leveza (e cansaço nas pernas). Agora é trabalhar o espírito para que a espera de um dia no aeroporto antes do voo à meia-noite não leve esse sentimento bom embora.

Olhando Machu Picchu de Waynapicchu

Olhando Machu Picchu de Waynapicchu

 

OUTRAS INFORMAÇÕES:

  • Trilha Inca: Há várias maneiras de fazer o trajeto até Machu Picchu do jeito antigo. A agência dentro do albergue Pariwana oferece o serviço para os 5 dias e 4 noites com carregadores, comida e guia por USD 234. Eles nos disseram que não precisa agendar com muita antecedência, dois dias já é o suficiente, a não ser que você queira subir Wayanapicchu (que pela trilha, ou de trem, requer duas semanas de antecedência devido ao limitado número de tickets). No entanto, achamos que isso deve se aplicar às trilhas alternativas, já que conhecemos vários trilheiros que só conseguiram agendar a trilha oficial com 4 meses de antecedência, uma vez que só são concedidos 500 licenças para a trilha por dia (200 para turistas e 300 para o staff). Todos nos disseram terem pago entre USD 550 e USD 700/pessoa para as licenças, guias, carregadores e comida (a agência SAS Travel, onde agendamos nossa ida a Machu Picchu, foi bem recomendada). Mais informações sobre as trilhas aqui ó.
  • Outros tours (Maras, Morays, Pisac, Ollantaytambo etc.): agendamos os tours extras com a agência dentro do Pariwana, a mais barata que encontramos. Há milhares de outras agências em Cusco, mas gostamos do serviço e preço dessa aí.
  • Hotel Tierra Viva: Ficamos nesse boutique hotel depois da visita a Machu Picchu (reservado pelo booking.com). Apesar de pequeno, os quartos são amplos, com camas gigantes, bom café da manhã, wifi gratuito e excelente serviço por apenas USD 100/noite (quarto para duas pessoas).
  • O táxi do aeroporto até o centro da cidade custa 15 soles. A volta foi mais barata, 10 soles.
  • Botequim no Peru é isso aí, Primeiros Socorros! (Se bem  que no Brasil também pode ser, né?)
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Caixa “Botiquin”

 

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4 comentários em “Cusco e Machu Picchu: realmente incríveis!

  1. O Peru é um daqueles lugares que sempre deixei para visitar depois. Parte porque para mim se resumia a Machu Picchu (ignorância mesmo, e também só esse lugar já justificaria a viagem), e parte porque “era logo ali perto” e poderia ir em outra época. O blog me instigou, e estou pesquisando sobre o país. Espero que ainda tenha fôlego.

  2. Eu fiz a Trilha Inca e amei. Há lugares incríveis que somente quem faz a trilha tem o privilégio de ver. Realmente é super-cansativo, mas recompensador. Não tive problema com a altitude (acho que devido ao meu preparo físico). Cheguei exausta ao Machu Picchu e sem forças para subir Waynapicchu, mas quando comecei a subir, como num passe de mágica, o cansaço desapareceu. Acho que é a magia do lugar. Eu recomendo, mesmo tendo que tomar banho com lenços umidecidos ehehe.

    • Obrigada por dividir sua experiência, Jaqueline! Com certeza deve ser uma trilha única! Quem sabe um dia não faço? Podemos visitar um mesmo lugar várias vezes e vê-lo de um jeito diferente dependendo do que escolhemos fazer, né? 😉 bjo

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