Praias Mexicanas de Yucatán: Cozumel, Playa del Carmen e Isla Mujeres

Eu tinha um pré-conceito sobre Cancun. Depois de anos escutando sobre spring breaks na faculdade e, mais tarde, sobre o destino número 1 de férias dos americanos fora dos EUA, admito que tinha receio do nosso próximo destino. Tentando fugir do turismo comercial voltado para os gringos, escolhemos praias na Península de Yucatán, na costa leste, que ficavam um pouco mais afastadas do estereótipo de Cancun. Ou assim pensamos.

Compramos um voo da companhia lowcost mexicana Interjet, que apesar de não ser tão barato (238 dólares, só de ida), parecia bem melhor que passar mais de 20 horas em um ônibus para fazer o trajeto entre Oaxaca, no coração do México, e o litoral. Chegamos a Cozumel no ápice do calor da tarde e fomos logo conhecer a ilha. A orla é tomada por lojas de marcas e de souvenires que vivem para os cruzeiros que passam por ali, mas se você alugar um jeep, dá para conhecer melhor a beleza natural dos arredores, onde ficam os melhores pontos para mergulho da região. De lá para Playa del Carmen, o famoso balneário de frente para a ilha, é só embarcar em uma das ferries que saem a cada hora de Cozumel. Antes, porém, eu e Guico ainda desfrutamos um delicioso jantar mexicano no restaurante La Kondesa, a experiência gastronômica mais genuína e gostosa que tivemos em ambas as cidades.

Image

Aproveitando Cozumel: Picanha? Não, bolo de chocolate

Ok. Agora é hora de falar de Playa del Carmen. Fiquei uns bons 10 minutos olhando para o computador sem saber exatamente o que escrever. É que quando vi Playa pela primeira vez – com aquelas centenas de americanos de férias, lojas com lembranças mexicanas feitas na China, e comida mexicana para gringo – fiquei um pouco exasperada, ainda mais depois de experimentar a cultura de Oaxaca. Eu já tinha lido que as praias da costa leste eram mais “turistificadas”, mas mesmo assim foi estranho constatar que a região de Cancun está para os americanos, assim como Kuta em Bali está para os australianos: um refúgio farofa cheio de gente esquisita e vendedores insistentes. Me dei conta que destinos praianos muito turísticos acabam ficando plastificados, eles têm a mesma cara (ou nenhuma cara) no mundo todo. A impressão é que Cancun poderia ser Waikiki, ou Kuta, ou tantas outras praias do gênero que visitamos.

Passado o choque, e sabendo que o objetivo ali é somente passar férias no litoral (que é lindo, com água azul piscina), dá para aproveitar os vários restaurantes e hotéis na areia branca, alguns, como o El Mosquito Beach ou El Taj, com camas-espreguiçadeiras a alguns centímetros do mar. Saindo da praia, é legal perambular pela 5ª Avenida, rua paralela à orla, onde há uma concentração quase infinita de lojas de presentes e restaurantes (os mais especiais parecem ficar depois da interseção com a Rua 12). Se for comer por lá, recomendo sentar dentro do restaurante, já que as mesas na rua ficam à mercê dos vendedores ambulantes e bandas de mariachis que passam a cada cinco minutos oferecendo uma cantiga por uns trocados.

Image

Espreguiçadeiras do El Mosquito Beach

O passeio mais interessante que fizemos em Playa, no entanto, foi o tour para Chichen Itza, a pirâmide maia de maior renome mundial, considerada uma das sete maravilhas do mundo moderno, que fica a mais de 250 km do balneário. O percurso até o sítio arqueológico leva pelo menos 3 horas de estrada, um tempo enorme quando o ar condicionado do ônibus não funciona direito e você dá o azar de sentar bem atrás de uma pessoa com o desodorante vencido, exalando um bodum azedo lazarento. Felizmente, sobrevivemos! Porém ficamos desapontados com a explicação do guia ao chegarmos à pirâmide. Regurgitando em mono tom um texto decorado, o guia era o oposto do historiador cheio de paixão que nos apresentou Monte Albán em Oaxaca. Talvez tenha sido isso, ou as hordas de visitantes e o calor escaldante, mas achamos que o título de maravilha do mundo moderno deveria ter ido para as imponentes ruínas de Teotihuacán nos arredores da Cidade do México. Após a visita à Chichen Itza, para a salvação do olfato de todos no ônibus, o tour ainda passa por um lindo cenote, uma caverna típica da península, com lagos naturais de água potável. Nadar em um poço subterrâneo tão bonito e antigo é realmente algo muito especial (e refrescante), não é à toa que os maias consideravam os cenotes lugares sagrados.

Image

Visita à Chichen Itza

Image

Banho em Cenote para espantar o calor

Se você curte uma balada, esqueça tudo o que eu disse e vá para Cancun. A cidade parece existir para isso, oferecendo várias opções de clubs com bebida liberada. Como acabamos pulando essa parte, as dicas aqui são de uma amiga. “Para ir ao Coco Bongo, uma das baladas mais famosas, é melhor evitar sexta e sábado, pois a casa fica lotada e você não conseguirá ver bem os shows. Em todos estabelecimentos, é cobrado um valor pelo open bar, de 20 a 50 dólares por pessoa. Na Palazzo, uma balada chiquérrima onde toca música eletrônica e hip hop, a entrada com bebida liberada sai por 50 dólares. O open bar não tem nada do empurra-empurra para pegar bebida que vemos no Brasil, o atendimento é espetacular. Os outros clubs, que ficamna frente e ao lado do Coco Bongo, são mais tranqueiras, frequentados por aquela galera em spring break e velhos adeptos de swing.”

Nesse ponto, seguimos o padrão de casais em lua de mel: não víamos a hora de deixar o agito de Playa e relaxar em nosso all-inclusive resort de frente para o mar de Isla Mujeres. Sinceramente, foi a decisão mais sábia da viagem. O The Beloved Hotel é fabuloso, um pedaço do paraíso onde você é mimado 24 horas. Nosso quarto era do tamanho de um apartamento, incluindo uma jacuzzi com vista para a praia e frigobar livre com vinho, tequila ouro, gin e whiskey black label. Há três piscinas com bordas infinitas e jacuzzis no hotel. A principal delas conta com um bar dentro d’água e fica a 5 metros da areia da praia, que é belíssima. O serviço também é impecável, seja para receber coquetéis na beira do mar, ou quando atendido em um dos quatro restaurantes disponíveis que englobam várias cozinhas, todas deliciosas. Além dos esportes não-motorizados que são livres (caiaque, vela, snorkel e stand-up paddle), você pode andar de jet-ski e fazer passeios de mergulho ou de turismo por um preço extra (bem extra se comparado com opções em Playa). Também há degustações de charuto, noite do mojito ou da tequila, aula de paella e várias outras atividades. Ou seja, se esse texto for a última notícia da gente, não estranhem, resolvemos ficar por aqui.

Image

Hotel com vista terrível! Rs

A escolha do México como destino de lua-de-mel não poderia ser mais acertada. Vimos ruínas históricas famosas, desfrutamos da cultura diversa do país, comemos muitíssimo bem e, em nossos últimos dias, fomos tratados como realeza. Ainda faltou ver a costa oeste do país, as praias do pacífico e outras cidades bonitinhas no caminho. Mas não tem problema. Afinal, é para isso que existem aniversários de casamento, certo?

Image

Praia exclusiva do hotel

OUTRAS INFORMAÇÕES:

  • Nosso hotel em Cozumel, o Vista del Mar, era simples, mas confortável, de frente para a orla. (U$ 54,00/diária no Hoteis.com)
  • Ferry de Cozumel para Playa del Carmen: 45 minutos, tickets por 155 pesos/pessoa (aproximadamente 13 dólares)
  • Passeio para Chichen Itza de Playa del Carmen: 57 dólares, comprado na loja www.gomexico.org no aeroporto de Oaxaca. Geralmente eles cobram 90 dólares no aeroporto, mas estava com desconto promocional, equiparando o preço àquele cobrado por agências de turismo em Playa. O tour inclui almoço e a parada para banho em um cenote (cavernas com lagos subterrâneos).
  • Hotel em Playa del Carmen: Hotel Hacienda Paradise, a três quadras da praia, US$ 108/diária casal, com piscina, bom atendimento, quartos amplos e café da manhã (reservado no agoda.com).
  • Coco Bongo: A entrada com open bar custa US$ 50,00 de segunda à quinta-feira. De sexta à domingo, o preço pula para US$ 60,00 (mas se comprar com um dia de antecedência há um desconto de US$ 10,00).
  • The Beloved Hotel: diária de 418 dólares (casal) para quarto de frente para o mar, com todas as refeições e bebidas (inclusive alcoólicas). Assim como nos EUA, vale trazer notas menores (em pesos ou em dólares) para dar de gorjeta para o garçom, já que o serviço não é incluso na conta.

 

comments2

Anúncios

3 comentários em “Praias Mexicanas de Yucatán: Cozumel, Playa del Carmen e Isla Mujeres

  1. Pingback: Destination Wedding: a união perfeita entre viagem e casamento | Giros Por Aí

  2. Boa Noite Letícia,

    Estamos encantados com seu blog, realmente será muito consultado para as próximas viagens!!!!
    Gostaria de pedir uma ajudinha! Estamos saindo de férias para Cancún, e gostaria de saber se é possível encontrar por lá aluguel pranchas para prática de stand up paddle?
    Desde já agradecemos

    Att

    Letícia e Rodrigo

    • Oi, Xará! Então, quando fomos, tinha sim! Mas não sei se algo mudou desde então… Pois isso foi em 2013. Um abraço e boa viagem!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: