Puebla, vida colonial a 2 horas da Cidade do México

Quando se fala em lua de mel, a maioria das pessoas imagina dias de open bar em resorts de frente para o mar. Lugares como Fiji, Tahiti, Cancun. Bom, nossa lua de mel terá isso também, mas como viajantes do mundo, nunca poderíamos passar pelo México sem conhecer um pouco do interior do país, de suas culturas e história milenares.

Deixamos de lado o glamour esperado em viagens de recém-casados, pegamos um ônibus deluxe* na rodoviária da Cidade do México e, duas horas depois, estávamos em Puebla. Seu bem conservado centro histórico foi fundado em 1.531 pelos espanhóis, e ainda mantém muitas das complexas fachadas de azulejos de Talavera (uma cerâmica fina feita com desenhos locais e técnicas espanholas), razão pela qual toda a capital colonial foi tombada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

Estatisticamente, Puebla é uma cidade grande, a quarta maior do país, com 2,1 milhões de habitantes. Porém, para quem a visita, fica a sensação de uma vila do interior. Em parte porque a população local vive em subúrbios mais afastados do centro histórico, e em outra porque o estilo de vida parece refletir alguma capa de disco dos anos 80. Mulheres com cabelos enormes, homens usando terno para ir à igreja (ou roupas esdrúxulas para sair às ruas), bailes de debutantes onde meninas usam vestido de Cinderela na praça principal da cidade, pais e filhos vestidos iguais, a vida cotidiana que presenciamos nos pareceu – bem – meio cafona.

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Debutante de vermelho passeando pela praça

O melhor lugar para observar a cultura poblana é na praça principal, conhecida como zócalo. Além de ostentar a belíssima Catedral Basílica de Puebla, há vários lugares para experimentar tacos, pratos com moles (um espesso molho salgado à base de chocolate misturado a dezenas de ingredientes) e outras comidas típicas, enquanto se observa a abundante movimentação da praça. No entanto, apesar da fama de capital culinária, a cidade não tem muitos restaurantes refinados. O restaurante espanhol La Conjura fica entre os mais bem conceituados, servindo ótimos pratos castelhanos, como o fideu (paella ao estilo valenciano, preparada com macarrão). O mais interessante desse estabelecimento, porém, é sua localização dentro de uma antiga tocinería (açougue especializado em carne de porco). Nossa melhor descoberta gastronômica, na verdade, foi algo mais simples. Uma tendinha de biscoitos de canela ou de nata localizada na Avenida Reforma, há umas duas quadras da Catedral. Feitos na hora, macios, saborosos e quentinhos, são a perfeita companhia para um café na zócalo.

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Topo da Catedral Basílica de Puebla

 

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Frango com Mole Poblano

De Puebla, dá para fazer um passeio até Cholula, uma cidade vizinha que compõe a região metropolitana. Cholula tem mais de 150 igrejas e capelas, sendo mais conhecida por abrigar a maior pirâmide do mundo, com 400 metros de largura. O nome é pomposo, porém vimos fotos e explicações no Google que nos convenceram que a grandeza da pirâmide é mais histórica, pois as ruínas foram tão desgastadas e cobertas por areia e vegetação, que o que resta é somente um monte com uma igreja em cima (os espanhóis não se deram conta que se tratava de uma construção humana, achando o platô do morro um lugar perfeito para erguer seu templo). Confesso, ficamos com um pouco de preguiça de pegar outro ônibus para ver um monte de terra e mais igrejas. No entanto, se esse é um passeio o qual você não quer perder, há vários ônibus turísticos que saem da zócalo diariamente.

As ruazinhas de pedra e edificações coloniais são, com certeza, o maior charme de Puebla, mas há ainda algumas igrejas, a biblioteca antiga e outros monumentos a serem visitados. Mesmo assim, um dia inteiro por lá (sem contar viagens às cidades próximas) é suficiente. O legal é que, como a cidade recebe poucos turistas, há uma maior sensação da real vida mexicana interiorana (eu chamava tanta atenção que o Guico me apelidou de Miss México). Por tudo isso, vale a pena visitá-la, mesmo para aqueles que não seguirão viagem para a costa leste do país (existem passeios de um dia a partir da Cidade do México). Falando em seguir viagem, chegou a hora de arrumar as malas mais uma vez. Nosso plano de adentrar o interior mexicano, continua! Oaxaca, aí vamos nós!

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Restaurantes ao redor da zócalo

*Viajar de ônibus no México é bem confortável. As categorias estão divididas em primera clase (ônibus básico, com ar condicionado, um banheiro e televisão com áudio escutado por todos passageiros – não há fones), deluxe (ar condicionado, banheiros feminino e masculino, televisão com áudio individual e um lanchinho), lujo platinum (toda a categoria do deluxe, com poltronas mais confortáveis e wifi).

 

OUTRAS INFORMAÇÕES:

  • Ônibus da Cidade do México para Puebla: 162 pesos (13,50 dólares), com a companhia Estrella Roja.
  • Adoramos nosso bem localizado hotel: Casona San Antonio (diária de 110 dólares, incluindo taxas), com arquitetura super charmosa e bom café da manhã.
  • Inclua Floratil, Buscopan e Omeprazol na sua malinha de remédios. Seu sistema digestivo pode demorar para acostumar com a picante e temperada dieta do interior mexicano.

 

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