Primeira parada de Lua de Mel: Cidade do México

Considerada a terceira maior zona metropolitana do mundo, com mais de vinte milhões de habitantes, conhecer a Cidade do México é um desafio. Mesmo gente que nasceu e cresceu na cidade não se sente em casa em todas as 16 zonas que constituem a capital mexicana. A verdade é que, como visitantes, nem vale a pena tentar ver tudo. Com apenas três dias, no entanto, dá para ver bastante da parte histórica da cidade e ainda saborear a vida cosmopolita deste grande centro.

Mesmo com suas dimensões hercúleas, achamos a cidade mais espalhada que São Paulo. E mais bem cuidada também, com menos pichações, fios de eletricidade emaranhados, esse tipo de coisa. Claro, a pobreza característica das cidades grandes latino-americanas ainda é evidente, mas até nas favelas notamos diferenças. Os paraquedistas, como são conhecidos os migrantes da zona rural, vivem em subúrbios pobres ao redor da cidade, porém com aspecto mais urbanizado do que as favelas típicas que conhecemos. As casas são todas de alvenaria e, embora não sejam pintadas (para evitar um tributo adicional taxado sob “construções acabadas”), estão em ruas mais largas e asfaltadas, em bairros um pouco mais organizados que tem até igrejinhas bonitas.

Aliás, há igrejas e pequenos altares disseminados pela cidade inteira. A cultura mexicana respira catolicismo. Quase 83% da população se diz católica (contra 63% no Brasil), e mesmo considerando os não-praticantes, a simbologia da religião é fortemente encontrada em objetos de decoração, lojas especializadas (que vendem roupas e objetos para batismos e primeira comunhão) e na cultura em geral.

Nós visitamos dois pontos católicos turísticos interessantes, a Basílica de Guadalupe e a Plaza de Las Tres Culturas. A basílica é considerada o principal templo da Igreja Católica no continente americano, sendo o segundo sítio dessa religião mais visitado do mundo, ficando atrás apenas da Basílica de São Pedro no Vaticano. A construção principal é surpreendentemente moderna, incluindo esteiras automáticas (tipo aquelas de aeroporto) para que os fieis possam admirar a tilma (tecido indígena feito de cacto) de Juan Diego Cuauhtlatoatzin, onde, diz a lenda, ficou originalmente estampada a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe quando da sua aparição para Juan. Logo no pátio, presenciamos uma fiel se dirigindo à basílica de joelhos, provavelmente como pagamento de alguma promessa. Como sou agnóstica, atos de fé desse tipo sempre me impressionam.

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A Basílica de Guadalupe e a fiel de joelhos

Em um nível pessoal, achei o segundo ponto turístico do passeio mais significante. A Plaza de Las Tres Culturas é assim chamada por abrigar estruturas que refletem três períodos diferentes da história do país: da época pré-colombiana (ruínas astecas), do colonialismo espanhol (com uma igreja antiga) e do período pós-independência (com o complexo de edifícios erguido em 1964). Neste local encontra-se a Igreja de Santiago Tlatelolco, a primeira do México. Por ordem de Cortés, a igreja foi construída pelos índios no século XVI, utilizando as mesmas pedras dos templos astecas que ali estavam. Os índios acreditavam que a nova edificação colonial era amaldiçoada, pois provinha de seus templos sagrados. Foi só quando os espanhóis construíram capelas abertas (os templos astecas não tinham teto) ao redor da igreja principal, que os nativos foram aos poucos se sentindo mais seguros.

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La Plaza de Las Tres Culturas

O conto sobre a concepção da Plaza é apenas um pequeno exemplo da rica história mexicana, sempre cheia de conflitos entre civilizações antiquíssimas (como os Olmecas, Maias e Astecas) e, posteriormente, entre os nativos e os colonizadores europeus. Para entender melhor as culturas pré-hispânicas, recomendo uma visita ao Museu Nacional de Antropologia (57 pesos). Com uma cuidadosa e extensa mostra cronológica dos vários povos que habitaram a região desde 10 mil a.C., vale passar praticamente um dia inteiro por lá, antes de desbravar as famosas ruínas de Teotihuacan que ficam a 40 km da Cidade do México.

Apesar de termos ido ao museu depois, eu e Guico ficamos impressionados com as pirâmides de Teotihuacan, que são na verdade parte de uma cidade pré-asteca, tombada como patrimônio da humanidade pela UNESCO.  Por sorte, não encontramos as hordas de turistas anunciadas pelos guias de viagem, então pudemos caminhar com calma pelas pirâmides do sol e da lua e a vasta avenida dos mortos, construções realizadas por um povo do qual não se tem qualquer conhecimento, e que posteriormente foram usadas pelos astecas.

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Eu e Guico em Teotihuacan

Depois de tanta história em um único passeio, resolvemos pular o Turibus, fazendo outros pontos turísticos a pé. Foi bem fácil seguir o Trip Advisor City Guide no iPhone, já que nosso hotel, o charmoso Boutique Hotel de Cortes, ficava no centro histórico, de frente ao Parque Alameda Central. Recomendamos a hospedagem no centro para quem ficará poucos dias na cidade, pois dá para ver os sítios históricos mais facilmente e depois gastar o tempo extra nos bairros mais modernos, Coyocan, Condesa e Polanco, que são muito bonitinhos, com lojas de marca e ótimos restaurantes. Só tome cuidado ao pedir o táxi no hotel, pois eles geralmente usam carros de aluguel, sem taxímetro. A dica também é válida ao pegar táxis na rua. Só acene para os táxis-padrão, pintados a rigor e com taxímetro, ou se prepare para pagar três vezes mais pela corrida.

Em Polanco, jantamos no fabuloso Biko, listado como 38º melhor restaurante do mundo. O menu degustação harmonizado saiu por U$415 para o casal, incluindo gorjeta. Não exatamente uma pechincha, eu sei, mas adoramos a experiência inusitada e a comida estava deliciosa (estamos em lua de mel, né?). Também na lista, atualmente na posição 36ª, está o Pujol, que infelizmente não tinha mais horário para o dia em que queríamos.

Nossas outras refeições na Cidade do México foram menos chiques, mas não menos saborosas. Achamos o café da manhã típico muito interessante, com ovos, uma pasta de feijão e chile, um molho apimentado. No almoço, nos esbaldamos com o Molcajete, um grelhado de nopal (um tipo de cacto), carnes variadas e linguiça, feito em um caldeirão de pedra vulcânica e servido com tortilhas e mais chile. Aliás, tudo parece levar chile no país, até a bala de boas-vindas deixada pela equipe do hotel em nosso quarto (o que me faz pensar que a fatia de mercado do iogurte Activia no país deve ser quase nula.)

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Molcajete

Entre os bairros modernos, a gastronomia temperada e a história da cidade, há muito o que ver e fazer na Cidade do México. A quantidade ideal de dias acaba sendo ditada principalmente pelo tempo total no país. Com uma agenda lotada em menos de 20 dias, nos despedimos da capital já ansiosos para conhecer o interior, casa das culturas indígenas mais numerosas do México atual.

 

OUTRAS INFORMAÇÕES:

  • Táxi do aeroporto até o centro: 165,00 pesos (cerca de 14 dólares)
  • Táxi do centro para os bairros bonitinhos da cidade: até 50 pesos (táxi comum, contra 150 pesos dos carros de aluguel)
  • Tour para a basílica, Plaza de Las Tres Culturas e Teotihuacan : U$ 45,00 (agendado em nosso hotel)
  • Hospedagem: Boutique Hotel de Cortes – diária de 100 dólares (já com imposto), com uma arquitetura em bacana e no centro da cidade!
  • O que não gostamos na Cidade do México: o cheiro de esgoto (tipo Rio Tietê) em várias regiões da cidade

 

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2 comentários em “Primeira parada de Lua de Mel: Cidade do México

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