EUA: último país. Fim da viagem (Havaí, Los Angeles, Las Vegas e NY)

Ele veio de repente. Era difícil aceitar, mas lá estava o dito cujo, aguardando na 33ª posição. O último país, o último relato de viagem, o último ponto de um sonho que começou há quase um ano atrás. O Havaí era um ótimo lugar para começarmos nossa despedida, mas ainda assim, a chegada aos Estados Unidos incendiou vários sentimentos contraditórios.

Há 10 anos eu não pisava no país. Saí de Boston em 2001, alguns meses após minha formatura, repetindo que logo voltaria. Pisquei e voilá, uma década havia se passado. Apesar de ser muito diferente da Nova Inglaterra, a primeira sensação ao passar pela imigração havaiana foi de certo deja vu. O sentimento durou pouco. Antes de ser um estado americano, a ilha faz parte da região polinésia, com uma cultura envolvente e relaxada, perfeita para alguns dias de férias.

Teríamos somente 4 dias inteiros por lá, então resolvemos focar em Oahu, a ilha que abriga Honolulu e sua praia mais famosa, Waikiki. Como todo lugar mega turístico, Waikiki é uma farofa. Milhares de famílias com boias fluorescentes disputam um pedaço da areia com surfistas iniciantes e suas pranchas de surf. Mesmo assim, o lugar causa espanto. A cor do mar é de um azul tão claro que achamos que era água de piscina. Nope, era o marzão lindo mesmo.

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Praia Waikiki

A vantagem de se hospedar em Waikiki são os milhares de restaurantes e eventos patrocinados, como cinema na praia e apresentações de hula à beira mar. Depois de gastar bastante a sola do pé pela área, eu e Guico fizemos uma degustação de cheesecake, nos esbaldando com três pedaços na Cheesecake Factory. O Guico agora também pode atestar: está comprovado, os cheesecakes no Brasil tentam, mas o sabor não chega perto do original.

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Me esbaldando no cheesecake

Além de Waikiki, outro point concorrido são as praias da costa norte, consideradas terreno sagrado por surfistas mais experientes. Até queríamos conhecer as ondas gigantes de Waimea Beach, mas era verão, época de mar liso e snorkel. Bom, praia bonita é o que não falta no Havaí. Nós gostamos muito de Kailua Beach, um lugar menos comercial, onde ficamos morgando no sol enquanto os nativos colocavam canoas tradicionais para deslanchar na água transparente.

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Canoas tradicionais

Para quem precisa fazer umas comprinhas (tipo viajantes que já usam a mesma roupa há 11 meses), o estado é uma das melhores opções nos EUA. É que o sale tax, o imposto cobrado em cima de vendas do varejo, varia muito entre os estados americanos. No Havaí, ele é um dos menores do país. Some isso a um grande outlet e descontos especiais pelo feriado da independência e você tem uma Letícia alucinada vivendo o American Dream: comprar sem realmente ter dinheiro. He he he.

Só uma coisa nos chateou nas férias havaianas, ter que ir embora justamente no feriado de 4 de julho, quando todos acampam na praia, com direito a churrasco e shows de música, para esperar os fogos à noite. Para piorar a situação, ainda voamos com a United, que indubitavelmente ganhou o nome por unir as costas dos passageiros ao joelho de quem senta atrás. Com certeza, a pior companhia aérea da RTW.

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Apresentação de Hula

Chegamos moídos em Los Angeles. As 5 horas de voo pareciam uma eternidade, já que saímos à noite, não conseguimos dormir e desembarcamos super cedo na cidade por causa do fuso horário (o relógio em L.A. apontava 5 horas da manhã, enquanto no Havaí ainda eram 2 horas da madruga). Com caras de zumbi e restando 20% de bateria cerebral por causa do sono, nos adaptamos bem à L.A. Ô lugarzinho estranho! Uma verdadeira convenção de malucos! Como nunca estive em Los Angeles, não posso atestar o quanto o clima deteriorou, porém o que se sente é que o país está mesmo na sarjeta, afundado em uma decadência profunda que parece não ter volta.

Andamos em vários bairros da cidade, pegamos metrô, ônibus, conhecemos o centro. Em todos os lugares a quantidade de doidões empurrando carrinhos de supermercado é imensa. Várias vezes fomos confrontados por pessoas batendo um super papo consigo mesmas, ou até gritando para que saíssemos da fila de informações por acusações de espionagem (oi? Sim, foi isso mesmo).  A insegurança está generalizada. Um dos nossos amigos do hostel presenciou um baleado no metrô e nós também encontramos uma americana que dizia ter saído do hospital depois de ter sido atingida por um tiro. Os taxistas só andam com a porta trancada e o clima de tensão é palpável. Será que fomos parar no Rio dos anos 90?

Procuramos curtir o melhor que a cidade tinha a oferecer, comemos comida mexicana caseira de primeira, tiramos fotos dos pontos turísticos, assistimos ao novo espetáculo do Cirque du Soleil (Iris) e quando a loucura da cidade começou a ameaçar nossa sanidade, debandamos para Las Vegas.

Serei sincera, a Sin City americana nunca me atraiu. Sempre achei que a cidade era somente um grande centro de cassinos e eu nunca fui muito chegada em apostas.  Eu estava errada. Las Vegas é na verdade a metrópole mundial do entretenimento. O Blue Man Group, três edições diferentes do Cirque du Soleil, lutas ao vivo do UFC e vários shows de música estavam em cartaz na época que passamos por lá. Isso sem contar com as programações dos cassinos e a gastronomia premiada.

Outra razão legal para visitar Vegas é o passeio de helicóptero sobre o Grand Canyon, um dos grandes tesouros naturais do mundo. Há duas companhias que realizam o tour, Maverick e Papillon, mas somente a última sobrevoa a parte sul do cânion, considerada a mais imponente. O passeio é espetacular! Dá para deslumbrar a vista única do parque nacional com toda a riqueza de detalhes de suas camadas, formadas em um processo que começou há mais de 17 milhões de anos.

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Cassinos de Vegas

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Grand Canyon

Viajar realmente nos força a rever conceitos e adorei mudar de opinião sobre Las Vegas. Uma pena que o mesmo não aconteceu com L.A. A volta de ônibus para Los Angeles foi um horror, o momento mais tenso desde que saímos do Brasil. Primeiro, o embarque na rodoviária é um desastre, não há assentos marcados e todos se aglomeram com horas de antecedência no salão escaldante para poder escolher um lugar no busão. Segundo, é L.A., né? Como disse antes, uma concentração altíssima de malucos. Sentada ao meu lado estava uma senhora com toque que trouxe a própria almofada para não ter que encostar-se à cadeira pública. Atrás de mim, um ex-presidiário dizia tentar achar trabalho em vão. Na frente do Guico, um senhor contava o caso de sua mãe, que morreu de overdose aos 60 anos. E, no meio do trajeto, dois passageiros ao fundo começam uma briga. Nenhum lugar do mundo nos deixou tão apreensivos. Los Angeles ganhou invicta o prêmio de pior cidade da viagem. Não temos vontade alguma de voltar.

Ah! Mas logo ali no itinerário, estaria a cidade que nunca dorme, nos recepcionando com um milhão de opções antes de pegarmos o último voo para casa. Tenho que confessar que eu e Nova York temos uma história antiga. Nosso caso de amor começou na faculdade, quando eu aproveitava um ou outro feriado para dar uma fugidinha para a Big Apple. Quase 11 anos depois do nosso último encontro, o sentimento continua o mesmo.

Conseguimos achar um lugar baratinho perto de um dos meus pontos prediletos, o Central Park. Nem o cansaço por causa de outro voo noturno da United nos impediu de irmos direto para o parque e, como fazem os nova-iorquinos, tirarmos uma soneca na grama na hora do almoço. Softball, barraquinhas de cachorro-quente, pessoas pegando sol ou treinando para maratonas, as férias de verão no Central Park são contagiantes.

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Central Park com vista para a cidade

Sem dúvida, um dia de sol no parque é uma delícia, mas é à noite que Nova York acorda. Baladas, musicais, clubes de jazz, peças de teatro, barzinhos, comédia stand up, restaurantes e até academias, não importa qual sua vontade, a cidade está lá, te esperando. Eu e Guico assistimos o Blue Man Group e Zarkana do Cirque du Soleil, porém ficamos sem ingresso para The Book of Mormon, o musical mais concorrido e premiado da temporada.

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Em Times Square

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O Cowboy de Times Square

Mais do que qualquer show ou evento, o que eu curto em NY é o clima de que tudo é possível. Gosto até das pessoas meio ranzinzas, com humor sarcástico.  Das banquinhas de comida espalhadas em cada esquina. Da moda. E da chance de escolher qualquer caminho. Também tem aquele sentimento de voltar para um lugar familiar… Apesar da cidade nunca ser a mesma. Mas eu também não sou. Meio como encarar o fim dessa viagem, sabe? Nada mais apropriado depois de 11 meses de mudanças.

THE END… (for now)

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Um comentário em “EUA: último país. Fim da viagem (Havaí, Los Angeles, Las Vegas e NY)

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