Safári e praia na Tanzânia

Sentada de frente para o mar cristalino da praia de Paje em Zanzibar, sinto que descobri um tesouro escondido de nós, brasileiros. Muito se ouve falar do verão em Miami, natal em Paris ou férias na Itália, mas quase nunca escutamos alguma coisa sobre a Tanzânia, ou outros países da África.

É uma pena. A Tanzânia tem muito a oferecer, escalada em montanhas, safáris de luxo ou de aventura, praias paradisíacas e muita história. Ex-colônia inglesa (a independência foi proclamada somente há 50 anos), o país também já foi morada dos alemãs entre 1880 e 1919 e dos primeiros humanos há milhares de anos. Há inclusive fósseis e pegadas dos primeiros hominídeos, encontradas e preservadas perto da Garganta de Olduvai, um lugar interessante de visitar.

Apesar do país abrigar mais de 120 tribos com dialetos distintos (incluindo o longelíneo povo massai), o Swahili é usado como língua oficial, unindo não só os nativos, como vários povos do leste da África. A gramática e ortografia são extremamente simples, tornando-a uma língua gostosa de aprender. Eu e Guico conseguimos absorver um vocabulário básico, mas ainda voltaremos ao país falando como os locais. Mais um item para a lista de resoluções de ano novo.

Menino Massai

Menino Massai

Terminadas as aventuras do Kilimanjaro, passamos 6 dias explorando a savana e os parques nacionais em um safári exclusivo. Com a companhia de um guia local, acompanhamos a migração de zebras e gnus, vimos famílias de elefantes passarem a centímetros de nosso carro, tiramos fotos do quase extinto rinoceronte, babamos por filhotinhos de várias espécies e experimentamos a vida selvagem de perto. Aliás, bem de perto. Como nossas acomodações ficavam no meio das reservas, escutávamos hienas do lado de fora da nossa tenda durante a noite ou víamos chacais brincando com seus filhotes enquanto terminávamos o café da manhã.

O passeio de carro durante o dia, o chamado game drive, era sempre uma incógnita. Podíamos encontrar milhares de animais – como na Cratera de Ngoro Ngoro, provavelmente o lugar usado como inspiração para o filme Rei Leão – ou passar horas sem topar com nada além da mosca tsé tsé, a praga-picante dos jipes de safári. No entanto, mesmo se o passeio não fosse tão rico, tínhamos certeza que alguma aventura nos aguardaria nas tendas à noite, quem sabe hienas roubando o lixo da cozinha, um chacal rondando o acampamento, ou talvez cervos testando seus chifres em uma briga.

Game drive: saindo para ver bichinhos

Game drive: saindo para ver bichinhos

Cena do filme Madagascar

Cena do filme Madagascar

Família de elefantes a alguns metros do carro

Família de elefantes a alguns metros do carro

Os Elefantes de Perto!

Os Tented Lodges, hotéis feitos de tendas luxuosas no meio da savana ou floresta, adicionavam um sabor exótico à experiência. Os quartos são incrivelmente confortáveis e a comida preparada com zelo e ótimas especiarias locais. O lombo de porco e o carneiro são considerados as estrelas da mesa, mas comemos até arroz e feijão, um prato também conhecido na Tanzânia. Além das carnes e legumes, os tanzanios usam muitas frutas, matando um pouco da saudade dos sucos brasileiros.

Um dos primeiros tented lodges que ficamos

Um dos primeiros tented lodges que ficamos

Guico em uma das tendas no meio da savana

Guico em uma das tendas no meio da savana

As tendas podiam ser temporárias, mas o atendimento era de primeira!

As tendas podiam ser temporárias, mas o atendimento era de primeira!

Os seis dias passaram rápido, mas para quem tem menos tempo ou dinheiro, dois ou três são suficientes. O importante é checar quais parques recebem a maior quantidade de animais de acordo com a época do ano. O Serengeti, uma das reservas mais famosas da Tanzânia, estava praticamente vazio devido ao período de seca de janeiro. Porém, metros além de seus portões, milhares de zebras e gnus (e seus fãs predadores) desfrutavam da grama curta e nutritiva do Ngoro Ngoro. Já que a maioria dos sites especializados oferece essa informação de antemão, é melhor pesquisar antes de fechar o itinerário junto à operadora do safári.

Depois de seis dias de montanha e mais seis de mato, sentimos que estava na hora de umas férias relaxantes. Queríamos conhecer Zanzibar, mas fugindo do agito das praias mais turísticas. Acabamos passando nossa última semana em Paje, que tem o tipo de praia que eu gosto, areia branca, com ventos constantes (mais sem levantar areia), água cristalina e morna. O lugar também é praticamente deserto, a não ser pelos praticantes de kite surf e uns poucos hotéis e restaurantes. Perfeito.

Kitesurf na praia toda

Kitesurf na praia toda

Pescador local

Pescador local

Zanzibar é uma cultura à parte. Para começar, a maioria da população é mulçumana, legado dos vários povos árabes que governaram a ilha ao longo dos séculos. As túnicas coloridas das mulheres (o véu preto não é muito utilizado) contra o verde monocromático das plantações criam um belo quadro tropical. Mesmo com a forte influência islâmica, o modo de vida da ilha é bem relaxado… Bom, vamos parar com eufemismos. O lugar parece a Jamaica, pelo menos em relação à maconha. Há muitos rastas na ilha, para quem o uso da erva é sacramentado (ou indiscriminado). Eu e Guico caminhávamos na praia quando um vendedor nos parou para oferecer seus produtos: “oi, vocês querem alugar uma motocicleta? Não?! E comprar haxixe e erva? Não? E que tal umas mangas?” Foi a abordagem de venda de drogas mais engraçada que já recebemos.

A culinária em Zanzibar também é única. Rica em pimentas, frutos do mar e outras especiarias, vale a pena passear por lá só para saborear os vários pratos de lula, lagosta, ou kingfish pescado na costa. A surpresa gastronômica ficou com o restaurante rasta African Barbecue. Apesar do serviço ser feito em modo tartaruga e cada garçom ter um baseado pendurado no canto da boca, a comida era deliciosa e nenhum cozinheiro perdeu o braço no processo. Realmente surpreendente!

Restaurante Rasta - African Barbecue

Restaurante Rasta – African Barbecue

Prato sem dedos. Rs.

Prato sem dedos. Rs.

Aproveitamos as férias em Paje para aperfeiçoar a técnica de ficar de bobeira na praia e comer frutos do mar. Posso dizer que já somos profissionais no assunto. Na próxima vez que visitarmos Zanzibar, prometemos ter aulas de kite surf, ou sair em um safári aquático, ou correr na areia branca da praia. É, em uma próxima vez, quem sabe? Ou ficaremos jogados dias a fio em uma das piscinas naturais da praia, morgando até ficarmos mais enrugados que uva passa. Também é uma ótimo plano, né?

Vista do nosso hotel em Paje

Vista do nosso hotel em Paje

 

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2 comentários em “Safári e praia na Tanzânia

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