Veneza, a cidade dos canais

Apesar da saída de Salzburg ter sido conturbada (uma kuh que trabalha para a companhia de trem me vendeu um bilhete saindo da cidade errada, o que me custou 80 euros a mais), da previsão do tempo ser de chuva e de eu estar com dor de cabeça, deixei a Áustria toda serelepe. Não era para menos, meu próximo destino seria a Itália! Quem me conhece sabe que eu sempre tive muita vontade de visitar a terra natal de Michelangelo, de Leonardo da Vinci, da pizza. Tanta vontade, na verdade, que decidi passar 24 dias por lá. A lista de cidades no meu roteiro pelo país está mudando constantemente (sempre aumentando, por que será?), mas continuo seguindo o plano original: conhecer Veneza, ir descendo até a Sicília e dar uma paradinha em Milão no final. E que jeito de começar minha estada italiana, com 4 dias maravilhosos na cidade dos canais alagados!

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I love Venezia!

Bom, falar de Veneza é contar das gôndolas, das casas em meia luz que iluminam o grande canal e das pequenas calles que terminam em grandes monumentos. Para mim, no entanto, seria impossível falar de Veneza sem mencionar o Davide.

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os canais de Veneza

Meu itinerário pela cidade acabou sendo muito influenciado por um episódio do No Reservations onde o Anthony Bourdain explorava as delícias gastronômicas da cidade com um nativo. Fiquei curiosa. Eu já sabia que venezianos estavam em extinção, já que a maioria deixa a cidade por um lugar mais acessível (e menos cheio de turistas). Essa poderia ser então minha última oportunidade de conhecer Veneza com um veneziano, antes que os moradores, ou que a cidade que afunda aproximadamente 1 a 2 mm por ano, desapareçam de vez.

Encontrei o Davide no couchsurfing, anunciando uma grande paixão pela sua cidade natal no perfil. Após uns dois meses de conversas virtuais, lá estava eu, chegando em Veneza para passar o final de semana em seu lindo apartamento perto do Parque Giardini. Eu já tinha andado por Veneza no dia anterior, mas nada como ter alguém que nasceu e cresceu na ilha histórica para te dar uma perspectiva mais verdadeira. Como era sexta à noite, Davide preparou um spritz – a famosa bebida local feita com prosecco e licor – e fomos fazer um tour noturno pela cidade, com direito a explicações históricas de cada construção elaborada e paradas nas famosas osterias para experimentar aperitivos típicos como o baccalà, um tipo de bruschetta de bacalhau.

No sábado, após um super café da manhã com direito a proscuitto, cantucci e um café forte preparado em cafeteira italiana tradicional, tentamos caminhar pelos pontos históricos apinhados de turistas. Veneza é uma das cidades mais visitadas da Europa e nesse dia estava ainda mais lotada por causa do feriado do Dia de Todos-os-Santos. Para aproveitamos o sol e fugir das multidões, pegamos o waterbus até Lido, a praia dos venezianos. Lido tem uma energia completamente diferente de Veneza, com ruas mais largas, carros e aquele clima praiano. Que sorte! Sol no final de outubro! Teria sido um sacrilégio não conhecer a praia com um presente desses.

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por-do-sol em Veneza

Só que depois de 6 horas caminhando (você ainda acha que os europeus são magros por causa de dieta?), o cansaço bateu, então voltamos para o apê para jantar um delicioso risoto de abobrinha com linguiça preparado pelo Davide. Além dos passeios, sábado também foi um dia de muita conversa, de aula de italiano e muita risada. De uma amizade genuína que provavelmente nunca aconteceria se não pelo couchsurfing. Sou muito grata e deposito uma fé cada vez maior na organização.

Voltando ao episódio sobre Veneza do No Reservations, eu não queria deixar a cidade sem provar o tradicional risoto da Trattoria da Romano (para babar, assista o episódio original abaixo!). Como o Davide também é um foodie, reservamos uma mesa para o domingo. Antes do almoço, demos uma paradinha em Murano, ilha famosa pelos trabalhos em vidro, e seguimos para Burano, onde fica o restaurante, com a missão de imitarmos a experiência gastronômica do Anthony Bourdain. Acho que não fizemos feio. Comemos o mesmo prato de aperitivos do mar (camarão, mexilhões, ova de peixe e polvo), sardines a saor com polenta branca, risoto de peixe (preparado como no vídeo) e mousse de chocolate, tudo acompanhado por um delicioso vinho. Não achei a comida cara pela experiência, afinal não é todo dia que a gente alcança o paraíso por 45 euros.

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Ilha Murano

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A colorida Burano

Anthony Bourdain na Trattoria da Romano:

Falando em dinheiro, vale comentar que Veneza é uma cidade cara. Você paga couvert só para sentar em restaurantes perto da Praça de San Marco, os banheiros públicos custam 1,50 euro, meia hora de internet custa 8 euros, uma passeio de gôndola fica entre 100 e 150 euros e por aí vai. Mas há opções em conta, como as osterias e restaurantes mais afastados do grande canal e dos principais monumentos históricos. Mesmo não sendo exatamente uma pechincha, Veneza é estonteante, uma das grandes maravilhas do mundo que infelizmente tem um timer para desaparecer. Espero poder voltar a ver seus canais, e meu novo amigo italiano, antes que isso de fato aconteça. Ciao, Venezia!

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Praça de San Marco

 

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