Áustria: visitando Viena e Salzburg

É engraçado, mas às vezes eu esqueço que estou viajando. Esqueço que planejei como dar a volta ao mundo por tanto tempo, que não tenho mais endereço fixo nem número de celular e que a única coisa constante na minha vida é uma mala de mais ou menos 23 quilos. Parece que nasci para isso, que essa sempre foi minha realidade. Aí tem dias que a saudade dá um nó no peito. Não é aquele sentimento de querer voltar, mas sim de querer dividir. De ter a irmã-parceira por perto para dançarmos em um club de Viena até dar câimbra no pé, das amigas-irmãs para jantar em Taksim em Istambul, ou do namorado para… Bem para compartilhar todo um dia a dia diferente, já que no Brasil a gente dividia a casa, as histórias, o riso. Essa saudade, esse bichinho que vai roendo a gente pelo meio, ficou ainda maior quando cheguei sexta-feira em Viena para ficar na casa da Mari, prima do Guico.

Durante dois dias eu visitei o centro histórico de Viena (que é minúsculo, mas bonitinho), andei pelas ruas de compras e visitei o Palácio Shönbrunn. Mas, sei lá, eu e Viena não conectamos. Achei a cidade um pouco depressiva, ou era eu que estava assim, lembrando ainda mais do Guico com a presença da Mari. Para ajudar, ainda fui à ópera assistir La Traviata, uma história de amor lindíssima e frustrada. Acho que estou cada vez mais apaixonada por óperas. E cada vez com mais saudades do meu namorado.

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Palácio Shönbrunn

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chegando à ópera

Como ainda tem muito chão até o Guico chegar, tentei focar minhas energias no meu próximo destino. No domingo pela manhã peguei carona para Salzburg, e logo de cara gostei da cidadezinha de 150 mil habitantes cercada por montanhas com picos nevados e lagos. Ao chegar ao hostel, cometi uma gafe, chamei o recepcionista de austríaco. Só depois fui entender o porquê da sua cara feia. Muitos nativos ainda consideram Salzburg um estado independente, já que a incorporação à Áustria se deu somente em 1815.

Para quem passou por Munique, a semelhança com a região da Bavária – na comida, vestimenta típica e culto à cerveja – também é evidente. Na verdade, a afiliação da cidade é super confusa, ora pertencendo à Alemanha, ora à Áustria.  Salzburg tornou-se independente do Reino da Baviera no final do século XIV, quase 700 anos após sua fundação pelo bispo Rupert (original da cidade alemã de Worms). Em 1805, a cidade foi anexada ao Império Austríaco, porém no final de 1809 voltou a fazer parte da Bavária, após a derrota da Áustria na Batalha de Wagram. Mas calma que ainda não terminou! No Congresso de Viena em 1815, o distrito de Salzburg  voltou definitivamente a fazer parte da Áustria, mas sem as cidades de Rupertigau e Berchtesgaden que passaram para o Reino da Baviera. Se você já sabia de tudo isso e não nasceu na Áustria, parabéns! Você está apto a jogar o Show do Milhão (se o SBT ainda existir)!

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Vestimenta típica: quase alemã!

Apesar das disputas territoriais, Salzburg entrou mesmo para o mapa dos turistas por causa de outro evento, a filmagem do filme Noviça Rebelde (The Sound of Music, 1965). Aonde quer que você ande na cidade tem um cartaz da noviça e seu rebanho de sete enteados. Eu assisti o filme umas quinhentas vezes quando criança, geralmente no dia de natal ou em aniversários dos primos (seguido por E.T. – O Extraterrestre), mas sem ter ideia da importância da filmagem para algumas pessoas e, é claro, para os Salzburguenses. Estima-se que 300 mil pessoas, o dobro da população local, visitem a cidade somente por causa dos locais mostrados na telona. A casa onde Mozart nasceu não recebe metade da atenção (tudo bem que o músico não via a hora de deixar sua cidade natal, mas isso é outra história).

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Centrinho charmoso

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Lindas vitrines de natal

Mesmo movimentando boa parte da economia local, os nativos não são muito chegados no filme. Em parte porque uma versão alemã mais fiel à história da família Von Trapp (e à geografia do lugar, já que no filme Hollywoodiano a família foge por montanhas que ligavam a Áustria à Alemanha nazista) ficou em cartaz com certo sucesso em 1956. Porém, eu desconfio que o exagero de alguns aficionados pelo filme também seja responsável pelas caretas de alguns moradores ao passarem por certos pontos turísticos. Você já vai entender no próximo parágrafo.

Ok, eu fiz o Original Sound of Music Tour. Antes de você rir, deixa eu dizer que valeu os 33 euros pagos. Não por causa do filme em si, mas pela chance de passar por montanhas e lagos ao redor da cidade e também pela explicação histórica de Salzburg, uma boa opção para saber mais sobre o local já que aqui não tem os famosos Free Walking Tours. Tudo bem, eu desligaria o CD do filme que ficou tocando sem parar no ônibus, mas fora isso (e uma visão de uma fã de 70 anos vestida de noviça e correndo cantando pelos campos – o tal exagero) o tour foi ótimo. Até porque o guia, que deve fazer isso por muito mais horas do que sanamente recomendado, era engraçadíssimo, com um humor sarcástico imperdoável.

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Sound of Music Tour

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Casarão usado no filme A Noviça Rebelde

Além das atrações Hollywodianas, Salzburg é uma cidade cheia de opções para visitantes. No charmoso centro barroco antigo, considerado patrimônio mundial pela UNESCO, dá para fazer várias comprinhas e comer em ótimos restaurantes (a strudle de maçã servida com calda de baunilha é uma sobremesa quente típica da região, e uma delícia!). A cidade também tem museus de arte moderna e história natural e vários encontros de degustação de cerveja. Perto de Salzburg há estações de esqui e outros passeios mais inusitados, como as 4 horas que passei explorando as cavernas de gelo de Werfen, ou um tour pelas antigas minas de sal (Salzburg na verdade significa “Castelo de Sal” em alemão, representando a importância da cidade como fonte de sal, considerado mais valioso que ouro no século VIII).

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Strudle de maçã. Yum!

 

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As cavernas de gelo estão dentro da montanha

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cavernas de gelo

Eu acabei ficando 4 dias e meio na cidade e poderia ficar mais. Para a famosa lista “de uma próxima vez,” ficou o paragliding que sobrevoa a cidade (estava fechado por causa dos ventos fortes), o jantar de carne de caça na pequena vila de Mondsee (um dos pontos de filmagem que visitei) e uma visita às minas de sal. Pela velocidade que essa minha lista cresce, terei que organizar uma segunda viagem ao redor do mundo assim que essa terminar, ou pelo menos ganhar na Mega Sena. Alguém aí tem um bilhete premiado?

 

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Um comentário em “Áustria: visitando Viena e Salzburg

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