Munique, Alemanha: Oktoberfest!

Todos os lugares do mundo podem ser ótimos destinos de viagem, desde que você conheça as pessoas certas. Não foi à toa que meus dois lugares prediletos até agora foram Istambul e Munique, já que nas duas cidades conheci pessoas “locais” que imprimiram um sabor mais real à minha visita, mesmo que por pouco tempo.

Fui para Munique com um objetivo muito específico: participar do último final de semana da Oktoberfest. Esse foi um dos festivais que moldaram meu itinerário pela Europa, então posso dizer que estava bem empolgada, apesar de não ter ideia de como seria a festa. Acho que eu esperava uma mistura de micareta com chopada de faculdade, sem ter noção da dimensão do evento.

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A arquitetura de Munique é demais

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Mais detalhes da arquitetura

Chegamos à cidade no final do dia 30, sexta-feira, e fomos jantar com uns amigos dos nossos anfitriões, Jonas e Ariel, em um restaurante italiano chamado L´Osteria. As pizzas eram gigantes e preparadas em uma cozinha aberta, com funcionários que trabalhavam em ritmo 20-latinhas-de-redbull. Se eu trabalhasse em uma cozinha daquelas teria um infarto após a primeira semana. A decoração combinava o moderno e o clássico, com um lustre chamativo pendurado em um salão exclusivo para reservas.  A comida era deliciosa, feita com ingredientes frescos, mas o salão principal lembrava uma torre de babel misturando a comida italiana, os garçons alemães e a música ambiente em espanhol (hein?). Para completar a salada linguística, a ida ao banheiro incluía uma aula de italiano com CDs de lições nos auto-falantes (Danken = Grazie).

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Jonas e Ariel, nossos anfitriões caprichavam no café da manhã! Adoro pães alemães!

Ao final do jantar, fomos tomar uns drinques no apartamento do Marko, um pequeno alemão de 2 metros tão autoconfiante que os seguranças das melhores baladas e festas exclusivas o deixam entrar simplesmente porque ele parece pertencer ao lugar (e quem por ventura achar que ele não pertence deve ficar com medo de perguntar). Marko e sua namorada nos apresentaram para outras oito pessoas que estavam se hospedando ali e que iriam para Oktoberfest com a gente no dia seguinte. Bom, eu, a Ju, Jonas, Ariel e Adel (outro hóspede na casa em que estávamos) tentaríamos entrar com eles em uma das tendas do sábado, já que só tínhamos convites para o domingo.

Apesar do nome, a Okotberfest geralmente começa na metade de setembro. Seu nome remonta à primeira edição, realizada em 1810 para comemorar o casamento do príncipe bávaro Ludovico. A festa começava em 12 de outubro e durava cinco dias. Como todo mundo adora uma bagunça, o evento se perpetuou e a data foi adiantada em um mês para aproveitar os resquícios do sol do outono, permitindo que a festa seja feita em tendas ao ar livre.  Como vim a descobrir, a Oktober está longe de ser uma chopada. Com 6 milhões de visitantes por ano, cerca de 60 hectolitros de cerveja, meio milhão de galinhas e quase 400 mil salsinhas, o evento é uma festa concorrida, onde pessoas sem mesas reservadas chegam às 8 da manhã para tentar participar da festa que começa mesmo às 4 da tarde (a cerveja fica disponível às 11 horas, mas a banda só começa depois das 16 horas tocando até o encerramento às 23 horas).

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Tenda Oktober: a festa acontece lá dentro

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Começo da festa, todo mundo ainda calminho e comportado.

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Galera do lado de fora da festa oficial

Para não termos que fazer parte da matinê, combinamos de tentar entrar com o Marko, nosso amigo pop star, e a galera que estava ficando em sua casa. Como manda a tradição, compramos o vestido típico bávaro, o dirndl, traje praticamente obrigatório na festa (só alguns turistas não usam. Os mais elaborados custam entre 150 e 300 euros, mas achamos alguns legais por 50). O Jonas contou que o dirndl entrou na moda novamente, sendo comum ver mulheres usando a roupa em baladas ao longo do ano. Isso, no entanto, vale só para Munique, o coração da Bavária.

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Roupas típicas na vitrine da C&A!

Às 3 e meia da tarde, nosso grupo de 15 pessoas entrou na tenda da Hofbräuzelt como se fossemos donos da cervejaria, graças ao Marko que mal trocou duas palavras com o segurança e de quebra conseguiu a mesa ao lado sem pagar nada por isso.  Dentro das tendas, a Oktober é uma festa anabolizada. As cervejas são servidas por litro (ficamos só na mais leve, a Radler, que tem metade do teor alcoólico da cerveja normal), a porção individual da galinha é metade de um frango e as garçonetes carregam pelo menos 9 litros de cerveja por vez (elas devem ganhar todos os campeonatos de supino da Alemanha).

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Nosso grupo preparando pra festa

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Tentando imitar as profissionais!

Me diverti horrores dançando em cima dos bancos (quem dança em cima das mesas é expulso, mas o banco é território disputado), brindando a cada cinco minutos ao som de “Ein prosit, Ein prosit der Gemutlichkeit…” e passeando entre as pessoas com trajes típicos. Só não ficamos até o final porque nosso grupo não tinha dormido bem na noite anterior e queríamos aproveitar mais o evento no domingo.

A tenda que fomos no dia seguinte, a Armbrustschützenzelt, era um pouco menor. Em vez de ficarmos nas mesas no meio da muvuca, tínhamos reserva no segundo andar, mas nem por isso nos divertimos menos. Como já conhecíamos as marchinhas da Oktober e o resto da galera do sábado, a festa foi até mais divertida. Dançamos, cantamos (ok, eu murmurei os refrões) e bebemos até o final da festa, quando os nossos pés desistiram de obedecer. Além da magnitude da festa, impressiona a educação e organização do povo alemão (qualidades já esperadas) e também a hospitalidade. Para quem acha que os alemães são frios, recomendo uma passagem por Munique. É claro que tivemos anfitriões de outro mundo, que nos trataram como realeza, mas todos que conheci, mesmo naquelas conversas estranhas de fila de banheiro, foram muito mais que cordiais. Com certeza, adicionei mais um lugar na lista “lugares para voltar”. Vielen Dank!

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Os “franguinhos”

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Ju e eu na Oktober

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Durante a festa gente sentada no banco é raro! O negócio é ficar em pé ali e dançar!

 

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