Cruise na Croácia com amigos

E lá se foi o primeiro mês fora de casa. O tempo passa de um jeito misterioso quando se está viajando. Não sei se vocês já leram o texto de Airton Luiz Mendonça, que diz que ao fazer coisas diferentes evitamos que a vida passe muito depressa. Bom, viajar é estar cercado de estímulos diversos, línguas estrangeiras, lugares interessantes, pessoas novas. Muita coisa acontece o tempo todo, então, para a memória, algumas horas equivalem a dias inteiros.

Além da mudança no calendário, também sinto que estou bem mais desencanada quanto a várias questões da vida de viajante que geralmente estressam as pessoas. Pensei que fosse jurar minha mala de morte depois da segunda semana, que me aborreceria com as acomodações nada luxuosas em que tenho ficado ou que estranharia a falta de rotina. Nada disso aconteceu, pelo menos por enquanto. Na verdade me surpreendi com quão fácil é se desapegar de “coisas” quando estamos fazendo algo que sonhamos, que nos dá significado. É quando estamos sofrendo com o trabalho, ou com as pressões de uma vida que cobra alto pelo nosso prazer, que itens como o tamanho do box do chuveiro se tornam muito importantes (hey, todo mundo merece um delicioso banho quente depois de um dia com um chefe sado, né?).

Depois de 11 dias na Grécia, fui para Split na costa da Croácia encontrar minha grande amiga Ju Garcia. Deixa eu corrigir, tentei pegar o voo para Split. O dia em que eu pretendia deixar Atenas coincidiu com o dia da greve geral da cidade, ou seja, nada de transporte público. Todos os ônibus, táxis e trens estavam em greve, juntamente com os controladores de tráfego aéreo. Resumindo o melodrama, fiquei 12 horas no aeroporto de Atenas e só consegui sair no dia seguinte, depois de uma noite mal dormida em um hotel meia boca (achei baratas no quarto) fornecido pela companhia aérea. Enquanto isso, na cidade croata, a Ju me esperava, se perguntando se sua amiga havia sido abduzida por Óvnis de passagem pela Grécia. No dia seguinte, tudo se resolveu quando nos encontramos no apartamento previamente reservado perto da praia Bacvice, carinhosamente apelidada de Piscinão de Ramos pela Ju. Ok, a praia era um point croata, com uma vista linda, mas a areia havia sido substituída por uma plataforma de concreto com direito a escadinha de piscina, lembrando o infame piscinão.

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Protestos em Atenas

Achei Split muito parecida com cidades costeiras da Grécia e de Bodrum, na Turquia, com suas montanhas imponentes ao fundo e águas cristalinas, mas o Palácio Diocleciano na ponta esquerda do cais lhe confere personalidade. Construído pelo imperador Diocleciano em volta do século IV aC, o palácio romano ainda tem residentes, bem como várias lojinhas e restaurantes dentro das muralhas. Eu e a Ju passamos o dia lá, nos perdendo pelos becos, namorando bugigangas que não caberiam em nossas malas e tomando vinho. Na volta, passamos por um baile no pátio em frente a igreja. Uma banda tocava do lado oposto aos portões do templo, enquanto várias pessoas de diferentes idades dançavam. Nós ficamos sentadas nos degraus de pedra que cercam o pátio, em almofadas cor de vinho que os moradores retiram dos bancos da igreja um pouco antes do horário de fechamento.

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Split

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Dançando na praça

Apesar da previsão de que o tempo iria virar, acordamos com o sol brilhando e fizemos check in no Liberty, um barco da Katarina Lines que seria nossa casa pela próxima semana, passando por sete cidades: Makarska, Mljet, Dubrovnik, Trstnek, Korcula, Hvar e Split. Como encontramos o cruise pela internet, a reserva foi feita com uma agente de viagens, que apesar de muito gente boa, cobra comissão. Pagamos 445 euros cada uma com café da manhã e almoço inclusos para os sete dias. Mas temos uma dica: se você pensa em fazer um cruise pela costa croata, faça o booking diretamente com a companhia e o passeio sairá um pouco mais barato.

Makarska, Dubrovnik, Korcula, Hvar são cidades um pouco maiores, com restaurantes à beira do mar e pequenos centros medievais repletos de becos cinematográficos (tiramos mais fotos do que devíamos deles), igrejas antigas e ruas de pedra. Passeando à noite por Makarska, nos deparamos com uma pequena porta que parecia um bistrô. Não havia nada demais ali, demos uma olhadinha no menu, que incluía várias opções de frutos do mar e comida tailandesa, e continuamos procurando um lugar para jantar. Não sabemos bem por que, mas resolvemos voltar para esse restaurante, o Stari Mlin, nossa primeira surpresa gastronômica. Ao passar pela porta, o salão ampliava como em uma gruta. Várias obras de arte e quadros contrastavam com as toalhas roxas das mesinhas. “Vocês preferem comer aqui ou no jardim?” E fomos levadas pela anfitriã Goga, dona do estabelecimento e também autora da maioria dos quadros que vimos, para nossa mesa, no meio de um jardim de inverno coberto por parreiras. Sim, ela também produz o próprio vinho, que por sinal estava uma delícia! Para acompanhar a degustação, Goga trouxe bruschettas e mexilhões, complementos da casa. Eu comi peru com molho de cogumelos, batata rosti e salada e a Ju pediu um pad thai com camarão pitu servido dentro de uma concha. Saímos do restaurante felizes por termos confiado no instinto dos nossos estômagos, a única explicação para termos voltado ao Stari Mlin.

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Stari Mlin: portinha despretensiosa de ótimo restaurante!

Depois da noite tranquila em Makarska, estávamos animadas para chegar em Dubrovnik e conhecer os barzinhos da cidade. Passamos o dia passeando pelo centro antigo e demos a volta no castelo pela muralha que cerca a cidade medieval. Para contrabalancear essa vida difícil, paramos em um bar com mesas em cima de rochas irregulares do lado de fora do paredão para ver o pôr do sol. À noite, fomos conhecer a vida noturna de Dubrovnik com alguns australianos do barco. Apesar de já não estarmos na alta estação, o Skybar até que estava cheio… De adolescentes. Os drinques de um litro eram servidos em baldinhos de areia ao som de Britney Spears, completando o cenário teen. Resolvemos passar para uma cena mais adulta e fomos para outro bar com música eletrônica que estava bem legal, mas o cansaço do dia pesou e voltamos cedo para nossa cabine.

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Balada teen com baldinhos

Trstnek e Korcula foram paradas mais relaxantes, em preparação para Hvar, considerada a cidade mais animada do roteiro. Em Trstnek, uma vilazinha com poucas casas à beira mar, fizemos uma degustação do vinho local direto com o produtor e passamos o resto da tarde papeando no cais e assistindo um senhor croata pescar uma enguia com um arpão em forma de tridente. Korcula era um pouco maior, com um centro antigo pequeno, porém bonitinho, onde ficamos tomando vinho e gastando todo nosso dinheiro em bijuterias locais feitas com couro cortado a laser e cristais Swarovski.  O bar mais famoso entre os turistas, uma pequena torre de frente para o mar onde a bebida chegava aos visitantes no terraço através de cordas, estava cheio, então resolvemos call it a night para chegar bem em Hvar, que pelos textos dos guias, parecia ser a ilha prometida.

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O senhorzinho croata “pescando” enguia

Meu Lonely Planet dizia que 30.000 pessoas visitavam a ilha diariamente durante o verão, o capitão avisou que a cidade era a mais cara do itinerário por causa dos famosos que ficam por lá e um amigo australiano contou que Hvar é considerada a party island da Croácia. Apesar de tudo isso ser verdade, a parte que mais notamos foi a dos preços altos. Como chegamos em Hvar literalmente no final do verão (saímos da ilha dia 30 de setembro e no dia seguinte alguns bares já começam a fechar as portas), não encontramos as hordas de turistas e as baladas lotadas. Mesmo assim, adoramos a ilha, que tem muito mais casas ao longo da costa e um castelo com uma vista maravilhosa em cima de um morro.

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Castelinho na orla

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Vista linda

Para compensar a falta de baladas, havia vários restaurantes com mesas em jardins no terraço e com preços acessíveis. Eu e a Ju apreciamos uma carne deliciosa com espumante em um deles e depois fomos encontrar nossos amigos australianos para tomar um coquetel de despedida no Carpe Diem bar, com decoração que lembra o P12. Para quem vier na alta estação, vale a pena visitar o Carpe Diem Beach Club, a balada que fica em uma ilha perto de Hvar onde os tais famosos, que não encontramos, devem ir.

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As ilhas são repletas de detalhezinhos fofos

Apesar de ter passado rápido, não ficamos tão chateadas com o fim dessa semana de sol, praia, amigos australianos e comida deliciosa pois nosso próximo destino será igualmente difícil: Oktoberfest, lá vamos nós!

 

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Um comentário em “Cruise na Croácia com amigos

  1. Viajo nesse blog, tapete voador que me leva a muitos lugares. Pretendo ir à Croácia no próximo ano, talvez final de maio/começo de junho. Todas as reportagens que leio a respeito são lindas, mas gostei muito das dicas aqui.

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