Primeira parada da Volta ao Mundo: Istambul/Turquia, a cidade vermelha (31ago a 04set11)

Demorou para cair a ficha que aquele era o momento, eu já estava viajando. Mesmo com a ansiedade da semana pré-embarque, a correria e as compras de última hora, tudo parecia meio surreal. 25 horas de voos e tudo pareceu um só segundo. Entrei no avião, parei em São Paulo, fiz o check in para Madrid, conversei com um Argentino sentado do meu lado que adora o Brasil, fizemos piada de um casal lavando roupa suja atrás da gente, assisti filmes, almocei em Madrid, conheci um português que falava igual um catarina virado na cocaína, experimentei a deliciosa comida turca da Turkish Airlines e descobri que algumas cadeiras de avião ainda reclinam horizontalmente, passei pela alfândega e BOOM! Só ali, na chegada a Istambul, a ficha caiu: eu estava bem longe de casa. Mulheres cobertas da cabeça aos pés por véu e túnicas pretas me olhavam discretamente ao longe enquanto eu tentava entender aonde tinha ido parar minha bagagem e como fazia para chegar ao hotel perto do aeroporto que eu tinha escolhido só para descansar depois da viagem.

Detalhes aparentemente rotineiros de repente adquiriram brilho próprio e cada hora parecia passar muito mais intensamente. Não sei se essa é uma mágica que acontece mais com viajantes solos, mas você fica mais consciente de si mesmo, de sua aparência, seus gestos, seu lugar no mundo. E todo o resto se torna interessante, mesmo o semelhante (como encontrar o símbolo da Kibon em ruazinhas da Turquia).

Não dormi nada em minha primeira noite por causa do jetlag, mas essa mágica estranha da viagem e os conselhos animados dos funcionários do hotel sobre Istambul me deixaram extasiada, seria impossível dormir. Peguei um táxi e fui para o Big Apple Hostel, um lugarzinho bem charmoso bem no meio do centro velho da cidade, Sultanahmet, com vista para a Mesquita Azul.

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Entrando no clima da viagem

Trabalho minucioso em vários monumentos árabes!

Trabalho minucioso em vários monumentos árabes!

A primeira impressão da cidade foi simplesmente impressionante. Istambul é uma cidade vermelha, das bandeiras turcas espalhadas pelos prédios da cidade, das flores nas jardineiras penduras em postes e pontes, das pimentas e especiarias que adornam toda mesa de bar. É mais limpa e organizada do que imaginamos no Brasil (com exceção do trânsito caótico), com um mistura interessante do tradicional, estampado nos lenços e roupas compridas usadas por 30% das mulheres, e do moderno, aparente nos outdoors de marcas de biquíni, nas vitrines de lojas de roupas famosas e na decoração dos barzinhos nos terraços dos prédios de Taksim (o local mais agitado e moderno da cidade).

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As bandeiras estão em todos os lugares

 

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Flores vermelhas enfeitam a cidade

É o lugar do Çai, o chá turco que termina toda refeição e que dá o tom de uma boa conversa, e também das ruas estreitas da cidade velha, salpicadas de restaurantes e lojinhas charmosas, com seus murais pintados na parede, lâmpadas penduras do teto e mesinhas na calçada. Os turcos orgulham-se de sua cidade, e com muita razão. Todos parecem se conhecer, cumprimentando uns aos outros com um abraço e encostando o topo da cabeça duas vezes, do lado direito e esquerdo. A boa vontade do povo para te ajudar é impressionante, mas é bom saber que eles também adoram dar em cima de estrangeiras (recebi 30 mensagens de turcos que viram que eu estava na cidade pelo status do couchsurfing). Meu amigo turco, Levent, me explicou que há muito mais homens que mulheres na cidade e que encontrar uma casualmente é complicado, já que homens só podem entrar em baladas acompanhado de mulheres (antigamente homens em grupos ou sozinhos eram vistos como encrenqueiros e o hábito acabou pegando). E as próprias mulheres estão em transformação. Vimos várias em grupos se divertindo com amigas, vestindo roupas da moda e maquiadas, mas ele também me contou que essa cena é recente, há dez anos mulheres desacompanhadas não eram muito bem vistas. Uma minoria ainda usa a echarpe para cobrir a cabeça, como manda a tradição islâmica, mas mesmo entre essas, o costume vem mudando. Em vez das túnicas compridas pretas, muitas usam um tipo de sobretudo que modela a cintura, com echarpes trabalhadíssimas no cabelo, óculos escuros D&G e maquiagem.

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Vestimenta local: sobretudo e óculos chiques

A comida aqui é deliciosa e intensa, cheia de especiarias. Apesar dos turcos idolatrarem o kebap, frutos do mar também são muito populares e eu tive a chance de experimentar um delicioso peixe do Bósforo, servido com mais de 40 acompanhamentos. Outro detalhe interessante é que aqui cachorros não tem vez. A cidade é o reino dos gatos, que roubaram as técnicas dos seus amigos caninos e ficam ao lado da mesa nos restaurantes, miando, fazendo carinhas pidonas e tentando conquistar um pedaço de kebap ou de pão. Os bichanos são tão hospitaleiros quanto os turcos, passeando por sua cidade sem medo dos visitantes.

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Kebab de rua

Amigos, me apaixonei por Istambul! Não só pelas mesquitas grandiosas, os palácios de sultões banhados a ouro e a organização. Mas principalmente pela famosa hospitalidade dos turcos que, para mim, não cansa de impressionar.  Domingo, 4 de setembro, vou para Bodrum passar uma semana na costa turca. Tentarei mandar atualizações e prometo postar fotos… Quer dizer, assim que receber os cabos de download das máquinas, que mesmo com várias check lists, acabaram ficando em Curitiba.

Lindas luzes dentro da Hagia Sofia

Lindas luzes dentro da Hagia Sofia

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Visitando os museus

 

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