1a. lição de viagem: emprevistos acontecem!

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Aqui estou, a quatro dias da viagem de volta ao mundo, pasma pela quantidade de coisas que ainda preciso resolver. Quem me conhece sabe que sou mega hiper organizada, beirando o transtorno obsessivo-compulsivo. Então, como é possível minha lista de afazeres já não se encontrar devidamente riscada com a caneta vermelha (sim, eu faço isso)?

Porque, caros amigos, essa é a primeira lição de uma viagem round the world: shit happens. O governo chinês não devolve o passaporte antes do dia 29 de agosto (mesmo com a data de embarque grifada para o dia 30), eu pego uma amidalite poderosa e fico em casa de molho para me recuperar (adiando compromissos), ou a incompetência da minha ex-contabilidade faz com que eu só consiga fechar minha empresa em definitivo na segunda, um dia antes de eu me perder pelo mundo.

Yes, shit happens, já entendi. Será que podemos pular para a próxima lição?

Consigo até adivinhar qual será o segundo aprendizado prático: o famoso desapego. Não porque eu seja vidente, mas porque é fácil olhar para o tamanho da minha mala, calcular roupas necessárias para um ano de viagem por mais de 30 países intercalando verão e inverno, e ver que alguma coisa vai ter que ficar.

Montar a mala é um bom medidor que separa quem consegue viajar pelo mundo sem ter ganho na mega sena (ou seja, sem carregadores de bagagem particulares) de quem vai ter que ficar em casa. Se você é uma daquelas mulheres que não sai de casa sem chapinha, acha que ficar sem esmalte é pecado capital e leva uma mala de 50 kg para passar o carnaval no litoral, sua viagem de volta ao mundo só virará realidade quando você casar com algum sheik árabe.

É claro que ninguém precisa seguir à risca os conselhos sobre tamanho de bagagem do Rough Guide ou Lonely Planet, ou o único sapato que você levará na mala será uma daquelas lindas papetes de gringo. (Sexy, não?)

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Sim, as dicas do que levar na mala desses livros são bem interessantes, afinal, tem coisas que você não imaginaria que vai precisar (como um bandana da bandeira do Brasil, útil para sair de enrascadas, já que os brasileiros tem fama de boa gente, limpar itens da mala, usar na boca para se proteger da areia dos desertos, ou no cabelo para fugir do sol se o boné estiver longe).  Mas a gente também tem que adaptar a bagagem ao estilo próprio e ao tipo da viagem. Se você quer ir a muitas baladas e restaurantes bacaninhas, leve sim maquiagem, mesmo que um guru no trip advisor diga que é besteira (um conjunto de três sombras, um rímel, um lápis, um blush e dois batons já operam milagres). Se só vai pegar verão e praia, não precisa levar sapato fechado. E não importa para onde você vai, se você nunca usa um tipo de roupa aonde mora, as chances daquela peça virar somente um peso morto na mala são grandes (de volta às lindas papetes!)

Eu, por exemplo, ignorei todos os conselhos sobre não levar um sapato alto na viagem. Eu sempre uso salto, até para trabalhar, então reservei espaço para um na mala. Escolhi um preto básico, confortável (que passo o dia inteiro andando sem problemas) e pronto. Se minha vontade de conhecer as tais baladas e restaurantes ficar velha (vide o primeiro ensinamento, shit happens) ligo o desapego no máximo e jogo o treco fora.

Na verdade usei duas regras simples para montar a mala: (1) só levar o suficiente para uma semana (depois é só encarar uma lavanderia); (2) toda e qualquer peça tem que ter mais de uma utilidade (estou levando uma bolsa de praia onde a alça vira um colar, o tecido é uma canga que também pode ser usada como saia na praia).

Com a lista pronta, o terceiro desafio é achar a mala ideal. Os puristas proclamarão que uma viagem de volta ao mundo “de verdade” tem que ser feita com um mochilão. Vários deles, porém, acabaram sendo internados com problemas de coluna, desistindo do discurso militante a la Che Guevara e aderindo a modelos híbridos, com rodinha.

Na verdade, uma boa mala só precisa ser prática na hora de pegar transporte público, leve o suficiente para andar pelo menos 15 minutos sem câimbras e comportar todas as suas coisas. Eu acabei escolhendo um modelo híbrido da North Face, a Doubletrack 28” de 64 litros com rodinhas, mas que também vira uma mochila para os momentos em que você precisa dar um gás e pegar o trem. Além disso, ela vem com uma mochila de ataque de 10 litros para os itens que você precisa alcançar com frequência e é bem leve. O modelo mais novo, que foi o que comprei, foi repensado para pesar 4 quilos a menos que o anterior, sempre um argumento vencedor com as colunas mais chatinhas (leia-se: a coluna de qualquer pessoa com mais de 24 anos).

Para quem quiser ver como funciona, tá ela aqui (o video é do modelo mais antigo, o modelo mais novo é esse aqui ó):

Depois disso, é simples. Faça um teste para ver se tudo cabe realmente na mala, coloque-a nas costas e ande com a dita cuja. Se você não envergar pra trás, em pose de ponte, tá tudo pronto. Falta só pegar o passaporte e a passagem e entrar no avião. Isso, é claro, if shit doesn´t start happening.

How much does your life weigh?

 

“Imagine for a second that you’re carrying a backpack.

I want you to feel the straps on your shoulders. Feel them?

Now I want you to pack it with all the stuff that you have in your life.

You start with the little things, the things on shelves and in drawers the knick-knacks, the collectibles.

Feel the weight as that adds up.

Then you start adding larger stuff – clothes, table-top appliances, lamps, linens… your TV…

The backpack should be getting pretty heavy now. And you go bigger.

Your couch, bed, your kitchen table. Stuff it all in there.

Your car, get it in there.

Your home, whether it’s a studio apartment or a two bedroom house.

I want you to stuff it all into that backpack.

Now try to walk.

It’s kind of hard, isn’t it?

This is what we do to ourselves on a daily basis, we weigh ourselves down until we can’t even move.

And make no mistake, moving is living.” (From the movie, Up in The Air).

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Um comentário em “1a. lição de viagem: emprevistos acontecem!

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