Volta ao Mundo: Pare, Olhe, Escute!

Você está aqui porque sabe alguma coisa. O que você sabe, não pode explicar. Mas você sente. Você sentiu a vida inteira. Que há algo de errado com o mundo. Você não sabe o que é, mas está lá, como um zunido na sua cabeça te enlouquecendo. Você quer saber o que é? Você pode ver quando olha pela janela ou quando liga a TV. Você pode sentir quando vai para o trabalho, à igreja, quando paga seus impostos. É o mundo que foi colocado diante dos seus olhos para cegá-lo da verdade. Que você é um escravo, Neo.. Como todo mundo, você nasceu num cativeiro, nasceu numa prisão que você não pode cheirar, provar ou tocar. Uma prisão para a sua mente… Infelizmente, ninguém consegue somente escutar o que é. Você tem que ver por si mesmo.”

E assim, com as palavras de Morpheus, Neo tem a confirmação do que sentia no filme Matrix: o mundo ia além da sua rotina plastificada. Do outro lado, do lado desconhecido, havia muito mais.

Foi mais ou menos assim que me senti quando me deparei com o livro “As Melhores Viagens do Mundo” pela primeira vez. Eu voltava de uma feira de negócios em São Paulo e, como de costume, fui passear na livraria do aeroporto. De cara, lá estava ele, o livro que inspiraria meu trajeto pelo mundo. Capa dura azul reluzente, com algumas fotos de lugares que sempre quis conhecer. Dentro, uma introdução de Craig Doyle, ex-apresentador do programa Holiday do canal de televisão BBC, onde ele contava um deslize aos leitores. Nos vários anos de viagens fazendo reportagem de turismo para o programa, Craig sempre dizia aos amigos que seu trabalho era como outro qualquer, com expedientes longos e irritações que faziam daquela uma dura ocupação. “Era mentira”, ele finalmente confessa, “eu tinha o melhor emprego do mundo!”

Sim, viajar pelo mundo sempre foi um sonho. Meu e de várias pessoas, como vim a descobrir depois que dividi meus planos com os amigos. Vários me perguntaram, “mas você vai largar tudo assim?” Sim, eu vou. Não porque eu estou deprimida, ou odeio a minha vida, ou porque tinha brigado com o namorado, ou detestava o emprego, ou qualquer outra razão dolorida e profunda.

Eu gostava da minha vida até então, com a loja que eu comecei do zero, o namorado companheiro, a casa recém comprada, os amigos verdadeiros. Mas eu sempre carregava a sensação de que a vida não era só isso, de que havia muita coisa que eu não conhecia. “É o vento do norte chamando”, alguém me disse. O texto de Craig só conectou os pontos, como as palavras de Morpheus para Neo.

Ok, nerdices quase à parte, meu objetivo de viagem também é me perder “pelo buraco do coelho.” É impossível prever, sentada aqui na frente do computador, o que acontecerá nessa jornada por mais ou menos 30 países. O que eu quero é justamente isso: não saber, não formar julgamentos. É por isso que estou indo.

Pela primeira vez em muito tempo, tirei um tempo para fazer a trajetória sem esperar um prêmio pela chegada. Andar por aí e captar o diferente (e o semelhante também). Depois a gente vê o que faz com isso. O lema é bem simples na verdade, tipo alerta de trilho de trem: pare, olhe e escute. É isso, ou o tempo acaba passando tão depressa como trens que não param na estação.  Resumindo, eu só não estou a fim de acordar um dia e me dar conta de que escolhi a pílula azul.

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